domingo, 23 de abril de 2023

 


Ao notar alguém admirável, pouca atenção será destinada aos seus defeitos e imperfeições. Mais ainda, se o observado for um querido, um próximo ou mui estimado... Nesses casos faz-se até concessões! Brincadeiras à parte - mas analisando, o bem da verdade dos corações humanos; podem-se dizer: 1 – Sobre um desconhecido, ou uma pessoa não importante é mais fácil posarem-lhe críticas. 2 – Uma pessoa querida, e bem estimada é mais difícil encontrar desacertos. Ao olhar para a pessoa do apóstolo Paulo; toda sua fama, tudo o que Deus fez com ele, e através da vida dele, o leitor despercebido, na maioria das vezes, se prenderá ao Paulo “excelso”. Fazendo isso, pouco provável encontrará um apóstolo que não seja um herói. Contrariando expectativas escusas, os versos oito a quinze, do capítulo primeiro da epístola aos romanos, Paulo, ao expressar seus desejos, mostra de forma muito clara, e sem pretensão de alguma vaidade, suas muitas limitações: “em todas as minhas orações suplicando que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos” (V.10); “... muitas vezes me propus ir ter convosco, no que tenho sido até agora impedido...” (V.13). Ao se deparar com essa verdade, o crente deve ter por bíblico que, limitações e impossibilidades fazem parte da vida. Destarte, de forma alguma é motivo de se envergonhar da sua pequenez. E, mais ainda, ao ver alguém que se propaga como perfeito, ou um quase perfeito, o único posicionamento ajuizado que deve repousar no seu coração a respeito de tal parlador é a desconfiança e o descrédito. Aqui, indubitavelmente, a vida e ministério de Paulo grasna uma mensagem linda e profunda: “Sou totalmente dependente de Deus e seus designos”. Oxalá que a vida de todo crente fosse assim. O texto exposto ainda traz algumas outras importantes verdades: 1 – Paulo era um constante intercessor; Paulo ora louvando a Deus pela vida daquela igreja. Intercede pelos irmãos que ali estão, e ainda suplica pela oportunidade de ir até lá (V.8, 9 & 10). 2 - A igreja em Roma, conduzida pelo Espírito Santo, tem sua fama em todo mundo (V.8) 3 – Paulo tinha propósitos profícuos em seu desejo de ir a Roma: “...repartir convosco algum dom espiritual”(V.11). E ainda conforto na alma, tanto deles, os romanos, quanto Paulo, o pregador: “isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos, por intermédio da fé mútua, vossa e minha” (V.12). 4 – Paulo tinha uma certeza que o incomodava e o impulsionava para a pregação: “...sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (V.14) Expor o evangelho era a tônica da vida desse apóstolo. Por tudo que foi exposto, Paulo encerra dizendo que estava pronto para ir até aqueles irmãos. É como se ele dissesse assim: “-Senhor, eis-me aqui”.O crente deve sempre está pronto para o chamado santo do Senhor Deus. Viver assim é sinônimo de maturidade cristã.


terça-feira, 18 de abril de 2023


 

Alguns questionamentos nos cercam desde tempos idos, e muito incomodam por não serem respondidos ou quando são, tem por característica o insatisfatório. O sentido da vida, entre tantas incógnitas, é o que o coração humano mais deseja saber, é a informação que vale um milhão. Pessoas espalhadas por todo o mundo. Do mamando ao caducando. Do ontem e de agora. O douto, e até o mais ignorante. O rico e o pobre. Sem exceção, todos querem saber o seguinte: 1 – De onde vieram 2 – Para onde vão. Saber as respostas certas sobre essas perguntas afagarão idiossincrasias muito perturbadas pelo obscurantismo. É lógico que as pessoas não querem a(s) resposta(s) certa(s). O homem busca por informações que afaguem seus desejos mais primitivos e cavernosos. No fundo, o homem procura saber aquilo do amanhã que ele possa gerir da maneira que mais apeteça seu coração. O desespero que alardeia o homem está naquilo que o permeia. Cientistas dizem que no pós-morte só resta à escuridão; ou seja, nada. Morreu, acabou! Algumas religiões apontam para evoluções ou digressões espirituais. Ou a alma será levada para andares superiores e será aperfeiçoada para uma nova oportunidade, ou será levada para camadas inferiores e purgará até ser aperfeiçoada. Outras ainda apontam para bagagens que levarão, quase que imediato para um retorno muito bulboso, estranho, e boa parte das vezes nojentas. Inúmeros incautos dizem assim: “Vivamos tudo e todos os desejos que rodeiam nossos corações, pois, depois daqui o nada nos espera”. Essa proposição é, infelizmente, concordada até por muitos ditos cristãos, quando dizem que aqui é o fim de tudo. A ignorância relacionada ao fim está totalmente atrelada ao desconhecimento do início. Não conhecer o encete de tudo, desconhecer o propósito da vida, e estar alheio ao Criador, são inevitavelmente sentenças que conduzirão homens aos abismos mais profundos e sem respostas. O fim está no início. O início desvenda não só o fim, mas é luz para toda a caminhada da vida. É estudando a Palavra de Deus, que, o povo que foi chamado para ser santo, pode, e deve andar com passos firmes e esperançosos até o último dia de suas vidas. No livro de Gênesis, mais especificamente, nos três primeiros capítulos, encontramos aquilo que tecnicamente é qualificado como mandatos pactuais. É na narrativa de Moisés que o povo de Deus descobre e se deleita na forma exigida de viver. Deus estabelece ali três mandatos: 1 – Mandato cultural; ou seja, como sua criação deveria viver e se relacionar com o que foi criado. Como deveria cuidar da criação de Deus. Como deveriam trabalhar. Como deveriam desenvolver arte, ciências e respostas aos desafios das novas gerações e etc. 2 – Mandado social; ou seja, relacionamento! Nossos pais lá no Éden deveriam aprender de Deus como desenvolver toda uma rotina de vida para o bom, agradável e santo relacionamento de todas as gerações que viriam. 3 – Mandado espiritual; ou seja, obediência! Basicamente, o mandato espiritual é a forma como Deus exige que o homem se relacione com Ele.

segunda-feira, 17 de abril de 2023


 

Algumas verdades da introdução paulina já ficaram marcadas nos nossos corações. 1 – Paulo é servo/escravo de Jesus. 2 – A sua servidão se evidencia no apostolado. Um enviado pelo próprio Cristo para anunciar o evangelho aos gentios.  3 – Paulo deixa claro que o evangelho é de Deus 4 – O evangelho de Deus já estava sendo prometido  no Antigo Testamento pelo profetas, cumprindo assim a vontade de Deus. Agora, dando continuidade no que Paulo está instruindo essa igreja, chegamos aos versos três e quatro; aqui, Paulo mostra qual é o conteúdo desse evangelho: Jesus - Detalhe, Paulo apresenta Cristo em suas duas condições; humana e divina. A forma humana, Cristo é apontado como descendência de Davi: “... segundo a carne, veio da descendência de Davi”. Assim, Paulo instrui aos irmãos que receberam esse tratado, que o Jesus crido por eles, e anunciado por Paulo é o cumprimento da Palavra de Deus. Da mesma forma, agora no verso quatro, Paulo mostra Jesus na sua condição divina: “... Foi designado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor”. Dois detalhes são importantes aqui; ser filho de Deus no verso quatro, não é uma condição generalista. Ou seja, ter sido feito por adoção ou criação. Pelo contrário; Paulo aponta para a condição divina de Jesus, pois é o filho gerado, é o filho apresentado pelo Pai para cumprir seus propósitos eternos. E pelo poder do Espírito Santo Cristo ressuscita dos mortos. Nos Versos cinco e seis, Paulo demonstra os objetivos de Deus: 1 – O evangelho entre os gentios. Como? No verso cinco, Paulo diz que graciosamente recebeu de Cristo o apostolado. Esse presente recebido por Paulo faz dele um incansável pregador do evangelho. E a pregação é destinada aos que ainda não conheciam Jesus. 2 - Agora no verso seis, Paulo aponta para a pequena igreja que estava em Roma, e diz que eles faziam parte desse número de pessoas que deveriam ouvir sobre Jesus. 3 – No verso seis ainda, Paulo afirma algo maravilhoso demais: (kletoi Iesuos Cristou) - Chamados para serem de Jesus! O chamado através do evangelho, não só para essa comunidade, mas para todos os eleitos de Deus, é para que sejam de Jesus. Ou seja, sejam, vivam e andem conforme os passos daquele que morreu na cruz e ressuscitou. Paulo finaliza sua introdução no verso sete. Aqui, três demandas importantes devem ser conhecidas: 1 – Naquela igreja, em Roma, existiam amados de Deus: “A todos os amados de Deus, que estais em Roma”. 2 – Esses amados são chamando por Deus para viverem em santidade. Ou seja, viverem de forma diferente e separada do mundo que os cercam: “... chamados para serdes santos”. 3 – A saudação final de despedida pauta-se na graça, e na paz de Deus: “... graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”.

 


segunda-feira, 10 de abril de 2023

O Caráter de Deus: Atributos “Comunicáveis”

Em que aspectos é Deus como nós nos atributos da vontade e nos que sintetizam sua excelência?

 

E. Atributos de síntese

 

19. Beleza. A beleza é o atributo divino por meio do qual Deus se revela a soma de todas as qualidades desejáveis. Esse atributo divino está implícito em vários atributos anteriores e é especialmente associado à perfeição de Deus. Porém, a perfeição de Deus foi definida de uma forma que mostra que ele não carece de nada que lhe seria desejável. Este atributo, a beleza, se define de uma maneira positiva, para mostrar que Deus de fato possui todas as qualidades desejáveis: “Perfeição” significa que Deus não carece de nada desejável; “beleza” significa que Deus tem tudo que é desejável. São duas formas diferentes de declarar a mesma verdade.

Davi fala da beleza do Senhor em Salmos 27.4: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu tempo”.  Ideia semelhante se exprime noutro Salmo: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.25-26). Nos dois casos o salmista reconhece que seu desejo de Deus, que é a soma de tudo que é desejável, ultrapassa de longe todos os outros desejos. Esse desejo culmina num anseio de estar perto de Deus e de desfrutar da sua presença eternamente.

A beleza da nossa vida é tão importante para Cristo que seu proposito hoje é santificar toda a igreja “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27). Assim, individual e coletivamente, espelhamos a beleza de Deus em cada aspecto em que exibimos o seu caráter. Se espelhamos o seu caráter, ele se alegra em nós e nos acha belos.

 

20. Glória. Num dos seus sentidos a palavra Glória significa simplesmente “honra” ou “reputação excelente”. Esse é o significado do termo em Isaias 43.7, em que Deus fala dos seus filhos, “que criei para a minha glória”, ou em Romanos 3.23, que diz que “todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Nesse sentido, a glória de Deus não é exatamente um atributo do seu ser, mas antes descreve a suprema honra que devemos render a Deus por tudo que há no universo. Mas, nesta seção, não é esse o sentido da palavra glória.

Noutro sentido, a “glória” significa a clara luz que circunda a presença de Deus. Como Deus é espirito, e não energia nem matéria, essa luz visível não faz parte do ser divino, mas é algo criado. Podemos definir assim: a glória de Deus é o brilho criado que circunda a revelação do próprio Deus.

As Escrituras falam frequentemente da glória de Deus. Davi pergunta: “Quem é esse Rei da Glória? O Senhor do Exércitos, ele é o Rei da Glória” (Sl 24.10). Lemos em Salmos 104.1-2: “Senhor, Deus meu, como tu és magnificente: sobrevestido de glória e majestade, coberto de luz como manto...” Essa gloria de Deus é muitas vezes mencionada no Antigo Testamento.

É mencionada novamente no Novo Testamento, ligada ao anúncio do nascimento de Jesus aos pastores: “E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor” (Lc 2.9). A glória de Deus também ficou patente na transfiguração de Cristo (Mt 17.2), e da futura cidade celeste sabemos que “a cidade não precisa nem de sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a Glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21.23).

Surpreendente é de fato, então, perceber que Deus nos criou para espelhar a sua glória. Paulo nos diz que agora, como cristãos, “somos transformados, de glória em gloria na sua própria imagem” (2Co 3.18; Mt 5.16; Fp 2.15). 

O Caráter de Deus: Atributos “comunicáveis”

Em que aspectos é Deus como nós nos atributos da vontade e nos que sintetizam a sua excelência?

 

D. Atributos de propósito

Nesta categoria de atributos, discutimos a liberdade da vontade de Deus e finalmente estudaremos a onipotência da sua vontade.

 

16. Onipotência. A onipotência é o atributo de Deus que lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade.

Esse poder é frequentemente mencionado nas Escrituras. Deus é “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas” (Sl 4.8). A pergunta retorica: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14; Jr 32.27) certamente implica que nada é difícil demais para o Senhor. De fato, Jeremias fala a Deus: “...coisa algum te é demasiadamente maravilhosa” (Jr 32.17).

Há, porém, algumas coisas que Deus não pode fazer. Deus não pode desejar nem fazer nada que negue o seu caráter. É por isso que a definição da onipotência é lavrada em termos da capacidade divina de fazer “tudo o que for da sua santa vontade”.

Para concluir a discussão dos atributos divinos de proposito, importa perceber que ele nos fez de maneira tal que no nosso viver revelamos um tênue reflexo de cada um deles. Deus nos fez criaturas dotadas de vontade. Exercemos o direito de escolha e tomamos decisões de fato com relação aos acontecimentos da nossa vida. Embora nossa vontade não seja absolutamente livre como a de Deus, assim mesmo eles nos deu liberdade relativa dentro da nossa esfera de atividade do universo que criou. Não temos, logicamente, poder infinito ou onipotência, assim como também não temos liberdade infinita nem nenhum dos outros atributos divinos em grau infinito. Mas embora não tenhamos onipotência, Deus nos deu poder para gerar resultados.

 

E. Atributos de síntese

 

17. Perfeição. A perfeição é o atributo divino que permite que Deus possua com excelência absolutamente todas as qualidades e não careça de nenhum aspecto dessas qualidades que lhe seja desejável.

Diz-nos Jesus: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celeste” (Mt 5.48). Deus não carece de nenhuma virtude excelente que lhe pareça desejável: Ele é “completo” ou “perfeito” em todos os aspectos.

 

18. Bem-aventurança. Ser “bem-aventurado” ou “bendito” é ser feliz num sentido bastante pleno e magnifico. Frequentemente as Escrituras falam da bem-aventurança das pessoas que andam nos caminhos de Deus. Em 1 Timóteo, porém, Paulo denomina a Deus “Bendito e único Soberano” (1Tm 6.15) e fala do “Evangelho da Glória do Deus bendito” (1Tm 1.11).

Assim, a bem-aventurança de Deus pode ser definida assim: Dizer que Deus é bendito é dizer que ele se deleita plenamente consigo mesmo e com tudo que reflete o seu caráter. Nessa definição a ideia de felicidade ou bem-aventurança de Deus está diretamente ligada à sua própria pessoa como centro de tudo que é digno de alegria e deleite.

Imitamos a bem-aventurança de Deus quando achamos deleite e felicidade em tudo que é agradável a Deus. De fato, quando nos mostramos gratos e nos alegramos pela capacidade, pelas preferências,  por outras características com que Deus nos criou como indivíduos, também imitamos o seu atributo da bem-aventurança. Além disso, imitamos a bem-aventurança divina quando nos alegramos na criação, por ela refletir vários aspectos do excelente caráter divino. E encontramos a nossa maior bem-aventurança, nossa maior felicidade, quando nos alegramos na fonte de todas as qualidades, o próprio Deus. 

 O Caráter de Deus: Atributos “comunicáveis”

Em que aspectos é Deus como nós nos atributos da vontade e nos que sintetizam a sua excelência?

 

D. Atributos de propósito

Nesta categoria de atributos discutiremos a vontade de Deus em geral, a liberdade da vontade de Deus e finalmente a onipotência da sua vontade.

 

15. Vontade. A vontade de Deus é o atributo por meio do qual ele aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação.

Essa definição indica que a vontade de Deus tem que ver com a decisão e com a provação das coisas que Deus é e faz. Envolve as escolhas divinas do que fazer e do que não fazer.

A.    A vontade de Deus em geral. As Escrituras frequentemente indicam a vontade de Deus como razão definitiva ou absoluta para qualquer coisa que acontece. Paulo se refere a Deus como aquele “que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).

 

Mais especificamente, todas as coisas foram criadas pela vontade de Deus: “Porque todas as coisas tu criastes, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4.11). Tanto o Antigo como o Novo Testamento falam que o governo humano vem segundo a vontade de Deus: a voz celeste diz a Nabucodonosor que ele deve aprender “que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4.32), e Paulo diz que “Não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13.1).

 

B.     Distinções nos aspectos da vontade de Deus: (1) vontade necessária e vontade livre. A vontade necessária de Deus abarca tudo que ele tem obrigatoriamente de desejado conforme a sua natureza. E o que Deus necessariamente deseja? Deseja a si próprio. Deus eternamente deseja ser, ou quer ser, quem ele é e o que ele é. Diz ele: “Eu Sou o que Sou” ou “Eu Serei o que Serei” (Êx 3.14). Deus não pode decidir ser diferente do que é, nem deixar de existir.

 

A vontade livre ou o livre-arbítrio de Deus encerra todas as coisas que Deus decidiu desejar sem necessariamente ter de desejar conforme a sua vontade aqui precisamos enquadrar a decisão divina de criar o universo, além de todas as decisões ligadas aos detalhes da criação. Aqui também devemos enquadrar todos os atos redentores de Deus.

 

(2) Vontade secreta e vontade revelada. Segundo Moisés, “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). As coisas que Deus nos revela nos são dadas para que obedeçamos a sua vontade: “...para que cumpramos todas as palavras desta lei”. Porém, certamente ele não lhes revelou muitos outros aspectos do seu plano, muitos detalhes sobre acontecimentos futuros, detalhes específicos das suas dificuldades ou da sua felicidade, e por aí afora. No tocante a essas coisas, eles deveriam simplesmente crer em Deus.

 

16. Onipotência. A onipotência é o atributo de Deus que lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade.

 

Esse poder é frequentemente mencionado nas Escrituras. Deus é “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas” (Sl 24.8). A pergunta retorica: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14; Jr 32.27) certamente implica que nada é difícil demais para o Senhor. De fato, Jeremias fala a Deus: “...coisa algum te é demasiadamente maravilhosa” (Jr 32.17).

 

Há, porém, algumas coisas que Deus não pode fazer. Deus não pode desejar nem fazer nada que negue o seu caráter. É por isso que a definição da onipotência é lavrada em termos da capacidade divina de fazer “tudo o que for da sua santa vontade”.

 

O exercício do poder divino sobre toda a criação é também chamado soberania. A soberania de Deus é o exercício do governo sobre a criação.

 

Para concluir a discussão dos atributos divinos de proposito, importa perceber que ele nos fez de maneira tal que no nosso viver revelamos um tênue reflexo de cada um deles. Deus nos fez criaturas dotadas de vontade. Exercemos o direito de escolha e tomamos decisões de fato com relação aos acontecimentos da nossa vida. Embora nossa vontade não seja absolutamente livre como a de Deus, assim mesmo eles nos deu liberdade relativa dentro da nossa esfera de atividade do universo que criou.

 

Não temos, logicamente, poder infinito ou onipotência, assim como também não temos liberdade infinita nem nenhum dos outros atributos divinos em grau infinito. Mas embora não tenhamos onipotência, Deus nos deu poder para gerar resultados.

 

 

                                               

O caráter de Deus: Atributos “comunicáveis”

C. Atributos morais

12. Zelo. O zelo de Deus pode ser definido assim: dizer que Deus é zeloso é dizer que Deus busca continuamente proteger a sua honra.

Deus admite, sem rodeios, que seus atos na criação e na redenção se fazem em prol da sua honra. Falando da sua decisão de sustar o juízo do seu povo, diz Deus: “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto [...] A minha glória, não a dou a outrem” (Is 48.11). Para nós, é espiritualmente saudável arraigar nosso coração no fato de que Deus merece toda a honra e toda a glória de sua criação, e de que Ele tem o direito de procurar essa honra. Só ele é infinitamente digno de ser louvado. Perceber esse fato e se deleitar nisso é descobrir o segredo da verdadeira adoração.

13. Ira. A ira de Deus pode ser definida assim: dizer que a ira é atributo de Deus é dizer que ele odeia intensamente o pecado.

Talvez nos surpreenda perceber que a bíblia fala com muita frequência da ira de Deus, porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo que se opõem ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente associada a santidade e a justiça de Deus.

Acham-se frequentemente descrições da ira de Deus nas passagens narrativas das escrituras, especialmente quando o povo de Deus peca de forma desenfreada contra ele. Deus vê a idolatria do povo de Israel e diz a Moisés: “Tenho visto este povo [...] agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor e eu os consuma” (Êx 32.9-10). Mais tarde Moisés diz ao povo: “Lembrai-vos e não vos esqueçais de que muito provocastes à ira o Senhor, vosso Deus, no deserto [...] pois, em Horebe, tanto provocastes à ira o Senhor, que a ira do Senhor se acendeu contra vós para vos destruir” (Dt 9.7-8; 2 Rs 22.13).

A doutrina da ira de Deus nas Escrituras não se limita, porém, ao antigo testamento, como alguns falsamente imaginam. Lemos em João 3.36: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Diz Paulo: “A ira de Deus se revela no céu contra toda a impiedade e perversão dos homens” (Rm 1.18; 2.5, 8; 5.9; 9.22; Cl 3.6; 1Ts 1.10; 2.16; 5.9; Hb 3.11; Ap 6.16-17; 19.15). Muitos outros versículos do Novo Testamento afirmam também a ira de Deus diante do pecado.

 

Discutimos os atributos divinos que descrevem o seu ser (espiritualidade, invisibilidade), os seus atributos mentais (conhecimento, sabedoria e veracidade) e os seus atributos morais (bondade, amor, misericórdia, graça, paciência, santidade, paz, justiça, zelo e ira). Examinaremos a partir de agora os atributos divinos de propósito, ou seja, os atributos ligados à tomada e à execução de decisões (liberdade, vontade e onipotência).

 

14. Liberdade. A liberdade de Deus é o atributo por meio do qual ele faz o que lhe apraz. Essa definição implica que nada em toda a criação pode impedir que Deus execute a sua vontade.

A liberdade divina é mencionada no Salmo 115, em que seu grande poder é contrastado com a fraqueza dos ídolos: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3). Soberanos humanos não conseguem se erguer contra Deus nem se opor com sucesso a sua vontade, pois, “como ribeiros de aguas assim é o coração do rei na mão do senhor; este, segundo seu querer, o inclina” (Pv 21.1).

Como Deu é livre, não nos cabe tentar encontrar uma resposta mais definitiva para os atos de Deus na criação do que o fato de que ele desejou fazer algo e de que a sua vontade tem liberdade absoluta. 

 O caráter de Deus: atributos “comunicáveis”

 

C. Atributos morais

 

9. Santidade. Dizer que Deus tem como atributo a santidade é dizer que Ele é separado do pecado e dedica-se a buscar a sua própria honra. A ideia de santidade, abarcando tanto a separação do mal quanto a dedicação de Deus à sua própria glória, encontra-se em várias passagens do Antigo Testamento.

O lugar onde o próprio Deus habitava era ele mesmo santo: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar?” (Sl 24.3). O próprio Deus é chamado Santíssimo e também “Santo de Israel” (Sl 71.22; 78.41; 89.11.18; Is 1.4; 5.19,24). Os serafins em torno do trono de Deus bradam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia de sua glória” (Is 6.3).

A santidade de Deus traça o parâmetro que seu povo deve imitar. Os crentes devem seguir “a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor” (Hb 12.14), e saber que a disciplina de Deus vem para que sejamos “participantes da sua santidade” (Hb 12.10).

 

10. Paz (ou ordem). A paz de Deus pode ser definida assim: dizer que Deus tem a paz como um dos seus atributos é dizer que no seu ser e nos seus atos Deus está apartado de toda confusão e desordem; porém, é incessantemente ativo em atos simultâneos, bem-ordenados e plenamente controlados.

Essa definição indica que a paz de Deus nada tem que ver com inatividade, mas com atividade ordenada e controlada. Tal atividade infinita, logicamente, demanda de Deus infinita sabedoria, conhecimento e poder.

Em 1 Coríntios 14.33, Paulo diz: “Deus não é de confusão, e sim de paz”. Embora “paz e ordem” não sejam tradicionalmente classificadas como atributos divinos, Paulo aqui sugere outra qualidade que poderíamos conceber como atributos distintos de Deus. Paulo diz que os atos de Deus se caracterizam pela “paz” e não pela “desordem”. O próprio Deus é “O Deus de paz” (RM 15.33;16.20; FP 4.9; 1Ts 5.23; Hb 13.20; 2Ts 3.16). Mas quem anda na iniquidade não tem paz: “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor” (Is 48.22; 57.21).

 

Compreendendo assim a paz de Deus, podemos ver como imitação desse atributo de Deus não só a “paz” que faz parte do fruto do Espírito em Gálatas 5.22-23, mas também o último elemento mencionado na relação do fruto do Espírito, a saber, o “domínio próprio” (Gl 5.23).

 

11. Retidão, justiça. Dizer que a justiça é um dos atributos divinos é dizer que Deus sempre age segundo o que é justo, e que ele mesmo é o parâmetro definitivo do que é justo.

Falando de Deus, Moisés diz: “Todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto” (Dt 32.4). Abraão apela com êxito ao caráter justo de Deus quando diz: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). Deus também fala e exige o que é reto: “Os preceitos do Senhor são retos e a alegram o coração” (Sl 19.8). E Deus diz de si mesmo: “Eu, o Senhor, falo a verdade e proclamo o que é direito” (Is 45.19).

Como consequência da justiça de Deus, ele necessariamente trata as pessoas segundo o que merecem. Assim, é necessário que Deus puna o pecado, pois ele não merece recompensa; é errado e merece punição.

 C. Atributos morais

6. Bondade. A bondade de Deus implica que ele é o parâmetro definitivo do que é bom, e que tudo que Deus é e faz é digno de aprovação.

Nessa definição, vemos uma situação semelhante à que encontramos na definição de Deus como Deus verdadeiro. Aqui, “bom” pode ser interpretado como “digno de aprovação”, mas ainda falta responder a seguinte pergunta: aprovação de quem? Em certo sentido, podemos dizer que qualquer coisa que seja verdadeiramente boa deve ser digna da nossa aprovação. Mas no sentido mais absoluto, não somos livres para decidir por conta própria o que é digno de aprovação e o que não o é. Em última análise, portanto, o ser e os atos de Deus são perfeitamente dignos da sua própria aprovação. Ele é, assim, o parâmetro definitivo do que é bom. Jesus afirma isso ao dizer: “Ninguém é bom, se não um, que é Deus” (Lc 18.19).

Reproduzindo esse atributo comunicável, devemos também nós fazer o bem e assim imitar a bondade do nosso Pai celestial. Escreve Paulo: “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6.10).

A bondade de Deus está intimamente ligada a várias outras características da sua natureza, entre elas o amor, a misericórdia, a paciência e a graça. As vezes essas características são consideradas atributos separados, sendo tratadas individualmente. Noutras vezes, são vistas como componentes da bondade de Deus e tratadas como aspectos diversos desse atributo divino. Trataremos o amor como atributo separado, por receber tanto destaque nas Escrituras. As outras três características (misericórdia, paciência e graça), embora também proeminentes na Bíblia serão analisadas conjuntamente, como aspectos da bondade de Deus para com as pessoas em situações especificas.

 

7. Amor. Dizer que Deus tem o amor como atributo é dizer que ele se doa eternamente aos outros.

Essa definição interpreta o amor como uma doação de si mesmo em benefício dos outros. Esse atributo de Deus mostra que faz parte da sua natureza doar-se a fim de distribuir bênçãos ou o bem aos outros.

João nos diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8). Temos sinais de que esse atributo de Deus já existia antes da criação entre os membros da Trindade. Jesus fala ao pai dá “Glória que me conferistes, porque me amastes antes da fundação do mundo” (Jo 17.24), indicando assim que o Pai já amava e honrava o Filho desde a eternidade. E continua até hoje, pois lemos: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado as suas mãos” (Jo 3.35).

Imitamos esse atributo comunicável de Deus, antes de mais nada, amando também a Deus, e depois amando os outros assim como Deus os ama. Todas as nossas obrigações diante de Deus podem ser resumidas da seguinte forma: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento [...] Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-39).

 

8. Misericórdia, graça, paciência. A misericórdia, a paciência, e a graça divina podem ser tidas como três atributos separados ou como aspectos particulares da bondade de Deus. As definições dadas aqui apresentam esses atributos como casos especiais da bondade de Deus quando empregada em benefício de categorias especificas de pessoas.

A misericórdia de Deus é a bondade divina para com os angustiados e aflitos.

A graça de Deus é a bondade divina para com os que só merecem castigo.

A paciência de Deus é a bondade divina no sustar a punição daqueles que persistem no pecado por determinado tempo.

A misericórdia é frequentemente enfatizada quando as pessoas estão angustiadas ou aflitas. Diz Davi, por exemplo: “Estou em grande angustia; porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias...” (2Sm 24.14). Em momentos de necessidade somos atraídos para o trono de Deus para que recebamos a misericórdia e a graça (Hb 4.16; Tg 5.11). Devemos imitar a misericórdia de Deus na nossa conduta em relação aos outros: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5.7).

Com respeito ao atributo da graça, vemos que as Escritura enfatizam que a graça divina, ou seu favor para com aqueles que não merecem favor, mas só punição, jamais é compulsória, mas sempre dada gratuitamente por Deus. Diz o Senhor: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33.19).

O Antigo Testamento com frequência diz que Deus é “longânimo” (Êx 34.6; Nm 14.18; Sl 86.15; 103.8; 145.8; Jn 4.2; Na 1.3). No Novo Testamento, Paulo fala da “bondade, e tolerância, e longanimidade” de Deus (Rm 2.4).

Cada um de nós deve também imitar a paciência de Deus, sendo “tardio para se irar” (Tg 1.19) e paciente no sofrimento como Cristo o foi (1Pe 2.20). A longanimidade é relacionada como fruto do Espírito em Gálatas 5.22.

 

O caráter de Deus: atributos “comunicáveis” (Primeira parte)

Em que aspectos Deus é como nós no seu ser e nos seus atributos mentais e morais?

 

B. Atributos mentais

 

3. Conhecimento (onisciência). O conhecimento de Deus pode ser definido assim: Deus conhece plenamente a si mesmo e todas as coisas reais e possíveis num ato simples e eterno.

Eliú diz que Deus é aquele “que é perfeito em conhecimento” (Jó 37:16), e João diz que Deus “conhece todas as coisas” (1 JO 3.20). A qualidade de tudo conhecer chama-se onisciência, e como Deus tudo conhece, ele é dito onisciente (ou seja, “que tudo conhece”).

A definição dada acima explica a onisciência com mais detalhes. Diz primeiro que Deus conhece plenamente a si mesmo. Trata-se de um fato espantoso, pois o próprio ser divino é infinito e ilimitado. Logicamente, só aquele que é infinito pode conhecer plenamente a si mesmo em cada detalhe. Paulo dá a entender esse fato quando diz: “Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, se não o seu próprio espirito que nele está? Assim também as coisas de Deus, ninguém as conhece, se não o Espirito de Deus” (1 CO 2.10-11).

A definição também diz que Deus conhece “todas as coisas reais”. Isso significa que todas as coisas que existem e todas as coisas que acontecem. A ideia se aplica a criação, pois Deus é aquele diante do qual “não há criatura que não seja manifesta [...] pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13; 2Cr 16.9; Jó 28.24; Mt 10.29-30).

 

4. Sabedoria. Dizer que Deus tem sabedoria significa dizer que Ele sempre escolhe as melhores metas e os melhores meios para alcançar essas metas. Essa definição vai além da ideia de que Deus conhece todas as coisas, e especifica que as decisões divinas quanto ao que fará são sempre sábias, ou seja, sempre trazem os melhores resultados (do ponto de vista absoluto de Deus), e trazem esses resultados pelos melhores meios possíveis.

As escrituras afirmam genericamente a sabedoria de Deus em várias passagens. Ele é chamado “Deus único e sábio” (Rm 16.27). Jó diz que Deus “é sábio de coração” (Jó 9.4) e que “com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento” (Jó 12.13). A sabedoria de Deus se revela especialmente na criação. Exclama o salmista: “que variedade senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl 104.24). Como Deus criou o universo, este foi moldado para perfeitamente render-lhe glória, tanto nos seus processos cotidianos como nas metas para as quais ele o criou. Mesmo hoje, quando ainda vemos os efeitos do pecado e da maldição sobre o mundo natural, ficamos pasmos ao notar como é harmoniosa e complexa a criação divina.

 

5. Veracidade (e fidelidade). A veracidade divina implica que ele é o Deus verdadeiro, e que todo o seu conhecimento e todas as suas palavras são ao mesmo tempo verdadeiros e o parâmetro definitivo da verdade.

A primeira parte dessa definição indica que o Deus revelado nas Escrituras é o Deus verdadeiro e real, e que os outros supostos deuses são ídolos. “O Senhor é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o rei eterno [...] os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo destes céus” (Jr 10.10-11). Jesus diz ao Pai: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3; 1Jo 5.20).

A definição dada acima também afirma que todo o conhecimento de Deus é verdadeiro e o parâmetro absoluto da verdade. A definição também afirma que as Palavras de Deus são ao mesmo tempo verdadeiras e o parâmetro definitivo da verdade.  Isso significa que Deus é confiável e fiel nas suas palavras. Com respeito as suas promessas, Deus sempre faz o que promete fazer, e podemos ter absoluta certeza de que ele jamais será infiel as suas promessas. Portanto, “Deus é fidelidade” (Dt 32.4).

 

domingo, 9 de abril de 2023

 

Quero começar o texto desse domingo com essa frase de F. F. Bruce, citada no comentário expositivo de Romanos, feito pelo pastor Hernandes Dias Lopes: “O evangelho de Deus é a jubilosa proclamação da vitória e da exaltação de seu filho, e da consequente anistia e libertação que os homens podem desfrutar pela fé nele”. Por qual motivo esse encete? Simples! A certeza do que é o evangelho faz o homem trilhar sendas planas. Mais ainda; tira, desvia e afasta o crente dos anátemas parladores do falso evangelho. Essa é a nossa terceira meditação na epístola aos Romanos, e continuamos com Paulo em sua saudação. Já vimos o macro do livro. Andamos com um Paulo efusivo – uma eloquência que denota escravidão; “... sou escravo de Jesus”. Agora continuamos, e permaneceremos ainda na sua apresentação. Por qual motivo? Para podermos, além de entender o que Paulo estava ensinado para sua comunidade leitora, desvendar alguns termos bíblicos, que infelizmente, por parte de muitos ditos cristãos, são usados de forma espúria. A continuidade da apresentação de Paulo, agora se desemboca naquilo que ele foi chamando; apóstolo! A vida de servo está ligada ao seu ministério. Seu serviço ao reino de Deus é como apóstolo de Cristo. Paulo não era um apóstolo secular, ou seja, aquele que está em missão de uma autoridade do mundo; reis, príncipes, prefeitos ou afins. Paulo também não é um dos apóstolos gerais. Essa condição se dá por causa da etimologia da palavra. Ou seja, um apóstolo é um missionário. É alguém que foi enviado para algum serviço real ou eclesiástico. Claro, por ser um baita de um transeunte da fé, Paulo também se enquadra aqui. Mas, na verdade, Paulo era um dos apóstolos de Cristo. Para ter tal função, era necessário cumprir alguns requisitos, mais exatamente dois, e Paulo os cumpriu. Ter visto ao Senhor, e ter sido chamado/enviado pelo próprio Jesus (At 9.1-19; I Co 15.8,9). Após essas certezas apresentadas, Paulo trás três aspetos importantes para serem observados: 1 – Paulo havia sido separado para o evangelho de Deus. Não podemos entender que Deus só vislumbrou Paulo aqui. Ou que a vida de Paulo resume-se no evangelho. O melhor entendimento dessa afirmação é que, o todo da vida de Paulo, seus dias, seus instrutores, seus dons, sua vocação e energia foram forjados a vida inteira para um melhor aproveitamento na pregação do evangelho. 2 – Evangelho de Deus. Paulo não permite que nenhum dos seus leitores tenha algum tipo de dúvida. Ninguém poderia afirmar que o evangelho é do acaso, ou oriundo de uma religião, ou ainda, produzido pelo próprio Paulo - não! Paulo é peremptório: O evangelho é de Deus. Afirmando assim, nenhuma dúvida pode sobressair do que é o evangelho. 3 – Esse evangelho que é de Deus foi por Ele mesmo prometido através dos profetas no Antigo testamento. Com essa informação, ficam claras algumas características do evangelho: 1 – Duradouro 2 – Antigo 3 – Fonte de esperança 4 – Verdadeiro. Só Deus poderia produzir algo tão sublime assim. Ao homem cabem três grandes privilégios: 1 – Alguns foram chamados para escrever 2 – “Todos” foram chamados para ouvir 3 – Os filhos foram feitos para entender.


quinta-feira, 6 de abril de 2023

 

A providência de Deus é um aspecto fundamental da nossa fé, que nos ensina que Ele cuida, sustenta e governa toda a Sua criação, incluindo nossas vidas. O amor, a onisciência e a onipotência de Deus permitem que Ele conheça e atenda às nossas necessidades, mesmo antes de as expressarmos.

Ao longo da história, Deus se revelou sempre presente, transformando a sorte de muitos personagens bíblicos através de Sua providência. Pense em Abraão, a quem Deus pediu que sacrificasse seu filho Isaque, mas no último momento providenciou um cordeiro para o sacrifício, demonstrando Seu cuidado e proteção. Ou considere o Êxodo, quando Deus libertou o povo hebreu da escravidão no Egito, com mão forte, guiando-os pelo deserto e provendo alimento e água em meio às adversidades.

Pense também em José, que foi vendido como escravo pelos próprios irmãos, mas se tornou governador do Egito, salvando muitas vidas durante a fome; ou em Ester, que se tornou rainha e, pela graça de Deus, conseguiu salvar seu povo da destruição. Esses exemplos mostram como Deus age de maneira poderosa e amorosa na história das pessoas que confiam nEle.

Em Mateus 6:25-34, Jesus nos lembra dessa verdade maravilhosa, encorajando-nos a confiar na sua PROVIDÊNCIA. Ele nos instrui a não nos preocuparmos excessivamente com as nossas necessidades básicas, como comida, bebida e vestimenta. Para ilustrar o cuidado de Deus, Jesus nos mostra como Ele sustenta e cuida dos pássaros do céu e dos lírios do campo, apesar de não trabalharem nem armazenarem alimentos.

A compreensão adequada de Mateus 6:25-34 leva em conta a verdade incontestável de que Deus está cuidando de nós. Conforme se depreende de Romanos 8:35-39, nada - nem tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada, morte, vida, anjos, principados, potestades, presente, porvir, altura, profundidade ou qualquer outra criatura - pode nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus.

Jesus nos ensina que, se Deus cuida tão amorosamente de Suas outras criações e agiu de maneira tão poderosa na vida de tantos personagens bíblicos, quanto mais Ele cuidará de nós, Seus filhos? Ele nos convida a buscarmos primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, prometendo que, ao fazermos isso, todas as nossas necessidades serão satisfeitas.

Neste contexto, somos encorajados a confiar na providência de Deus e a focar nossos corações e mentes em viver de acordo com os Seus valores, em vez de nos preocuparmos excessivamen-te com questões materiais. Portanto, acalmemos o nosso coração e vivamos sem ansiedade, sabendo que Deus está sempre conosco e nada pode nos separar do Seu amor.

Que possamos, como igreja, lembrar e celebrar a providência de Deus em nossas vidas e na história, apoiando uns aos outros na busca do reino de Deus e da justiça divina, e assim experimentar a paz e a segurança que só Deus pode nos proporcionar. Acalmemos nossos corações e vivamos sem ansiedade, confiando plenamente no amor e na providência divina. Que Deus te abençoe!


 

A insignificância de Paulo como escravo, faz de Cristo cada vez mais visto e glorificado. As nossas presunções e necessidades de reconhecimento, conspurcam as possibilidades dos nossos coetâneos de verem, reconhecerem e glorificarem a Cristo. A lógica de toda a Bíblia é: Deus grande e o homem pequeno. Deus, Senhor! E o homem, servo! Paulo, na introdução da epístola aos romanos, não deixa dúvida alguma dessa condição. A introdução está dividida assim: Versos um e dois: Apresentação pessoal de Paulo. Paulo como um servo de Cristo. Um servo que foi chamado para ser apóstolo. Seu apostolado é um chamado direto, pessoal e salvífico do próprio Cristo. O seu serviço ao Cristo, está sob pauta do evangelho de Deus. O apóstolo tinha absoluta certeza que o evangelho era de total domínio de Deus. E isso, ele queria que cada irmão ali em Roma soubesse. O verso dois é uma consequência lógica; Deus é o dono do evangelho. E por sua vontade e soberania, Ele mesmo anuncio esse evangelho através dos seus profetas no Antigo Testamento. Alguns irmãos exegetas, dizem que o anuncio do evangelho prometido era tão contundente, que algumas profecias eram o próprio evangelho já sendo anunciado. Oxalá isso fosse verdade nas nossas vidas. Viver... Falar... Ouvir... Conviver o evangelho todos os dias. Os versos três e quatro são dedicados ao conteúdo do evangelho. Paulo, categoricamente, por ensinar sobre o evangelho, denuncia o que muitos estão fazendo com as boas novas, uma quimera! Como? Os parladores contemporâneos estão tirando Cristo do evangelho e substituindo por eles mesmos; e vitoriosos. Paulo, do contrário, nos versos três e quatro mostra Cristo em suas duas condições; humana e divina. Paulo aponta para Cristo como o sucessor no trono de Davi, e como o ressuscitado da morte. Versos cinco e seis é o local do chamado apostólico. Um enviado aos gentios. A vida missionária de Paulo não era nada fácil. Mesmo porque, as palavras proferidas pelo Senhor ao discípulo Ananias em Atos nove são peremptórias: “... vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9.15,16). Paulo, como um bom servo, um escravo obediente, cumpriu em outros lugares, e aqui também em Roma o seu papel imposto por Deus. O verso sete é o fechamento da saudação. Não sendo menos importante, por se tratar de uma despedida, ou simplesmente ser o fim de uma perícope, Paulo fecha o texto com uma impetração: “... graça e paz da parte de Deus e de Jesus Cristo” (Rm 1.7). O apóstolo deseja que o favor imerecido de Deus para o homem, seja uma realidade na vida dessa igreja que ele está escrevendo. Cômico, incomum, santo... Paulo deseja tanto o bem; não só a esses irmãos, mas para todos que ele tem ministrado, que suas saudações; início e fim estão permeados da graça de Jesus Cristo. Sem dúvida, isso deve ser uma aula para cada leitor de Paulo. Assim como um servo, o maior dos pecadores de tempos idos ministrava graça para inúmeros irmãos. Nós também devemos fazê-lo hoje. Algumas certezas devem pavimentar nossos corações: 1- Devemos ser escravos de Jesus. Para tal, é sine qua non, que o escravo tenha sido liberto do pecado. Ser escravo de Cristo é ter sido libertado da escravidão do pecado. 2 – Nossa escravidão deve ser naquilo que fomos chamados; crentes, cônjuges, pais, filhos e afins...

DISTANTES DE DEUS

O homem vive num constante labirinto competitivo. A luta entre os pares é para chegar ao maior conhecimento reconhecido. Colocar o nome no f...