segunda-feira, 10 de abril de 2023

 

O caráter de Deus: atributos “comunicáveis” (Primeira parte)

Em que aspectos Deus é como nós no seu ser e nos seus atributos mentais e morais?

 

B. Atributos mentais

 

3. Conhecimento (onisciência). O conhecimento de Deus pode ser definido assim: Deus conhece plenamente a si mesmo e todas as coisas reais e possíveis num ato simples e eterno.

Eliú diz que Deus é aquele “que é perfeito em conhecimento” (Jó 37:16), e João diz que Deus “conhece todas as coisas” (1 JO 3.20). A qualidade de tudo conhecer chama-se onisciência, e como Deus tudo conhece, ele é dito onisciente (ou seja, “que tudo conhece”).

A definição dada acima explica a onisciência com mais detalhes. Diz primeiro que Deus conhece plenamente a si mesmo. Trata-se de um fato espantoso, pois o próprio ser divino é infinito e ilimitado. Logicamente, só aquele que é infinito pode conhecer plenamente a si mesmo em cada detalhe. Paulo dá a entender esse fato quando diz: “Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, se não o seu próprio espirito que nele está? Assim também as coisas de Deus, ninguém as conhece, se não o Espirito de Deus” (1 CO 2.10-11).

A definição também diz que Deus conhece “todas as coisas reais”. Isso significa que todas as coisas que existem e todas as coisas que acontecem. A ideia se aplica a criação, pois Deus é aquele diante do qual “não há criatura que não seja manifesta [...] pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13; 2Cr 16.9; Jó 28.24; Mt 10.29-30).

 

4. Sabedoria. Dizer que Deus tem sabedoria significa dizer que Ele sempre escolhe as melhores metas e os melhores meios para alcançar essas metas. Essa definição vai além da ideia de que Deus conhece todas as coisas, e especifica que as decisões divinas quanto ao que fará são sempre sábias, ou seja, sempre trazem os melhores resultados (do ponto de vista absoluto de Deus), e trazem esses resultados pelos melhores meios possíveis.

As escrituras afirmam genericamente a sabedoria de Deus em várias passagens. Ele é chamado “Deus único e sábio” (Rm 16.27). Jó diz que Deus “é sábio de coração” (Jó 9.4) e que “com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento” (Jó 12.13). A sabedoria de Deus se revela especialmente na criação. Exclama o salmista: “que variedade senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl 104.24). Como Deus criou o universo, este foi moldado para perfeitamente render-lhe glória, tanto nos seus processos cotidianos como nas metas para as quais ele o criou. Mesmo hoje, quando ainda vemos os efeitos do pecado e da maldição sobre o mundo natural, ficamos pasmos ao notar como é harmoniosa e complexa a criação divina.

 

5. Veracidade (e fidelidade). A veracidade divina implica que ele é o Deus verdadeiro, e que todo o seu conhecimento e todas as suas palavras são ao mesmo tempo verdadeiros e o parâmetro definitivo da verdade.

A primeira parte dessa definição indica que o Deus revelado nas Escrituras é o Deus verdadeiro e real, e que os outros supostos deuses são ídolos. “O Senhor é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o rei eterno [...] os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo destes céus” (Jr 10.10-11). Jesus diz ao Pai: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3; 1Jo 5.20).

A definição dada acima também afirma que todo o conhecimento de Deus é verdadeiro e o parâmetro absoluto da verdade. A definição também afirma que as Palavras de Deus são ao mesmo tempo verdadeiras e o parâmetro definitivo da verdade.  Isso significa que Deus é confiável e fiel nas suas palavras. Com respeito as suas promessas, Deus sempre faz o que promete fazer, e podemos ter absoluta certeza de que ele jamais será infiel as suas promessas. Portanto, “Deus é fidelidade” (Dt 32.4).

 

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