O caráter de Deus:
Atributos “comunicáveis”
C. Atributos morais
12. Zelo. O zelo de Deus pode ser definido
assim: dizer que Deus é zeloso é dizer
que Deus busca continuamente proteger a sua honra.
Deus admite,
sem rodeios, que seus atos na criação e na redenção se fazem em prol da sua
honra. Falando da sua decisão de sustar o juízo do seu povo, diz Deus: “Por
amor de mim, por amor de mim, é que faço isto [...] A minha glória, não a dou a outrem” (Is 48.11). Para nós, é
espiritualmente saudável arraigar nosso coração no fato de que Deus merece toda
a honra e toda a glória de sua criação, e de que Ele tem o direito de procurar
essa honra. Só ele é infinitamente digno de ser louvado. Perceber esse fato e
se deleitar nisso é descobrir o segredo da verdadeira adoração.
13. Ira. A ira de Deus pode ser definida
assim: dizer que a ira é atributo de Deus
é dizer que ele odeia intensamente o pecado.
Talvez nos
surpreenda perceber que a bíblia fala com muita frequência da ira de Deus,
porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo que se conforma ao seu
caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo que se opõem ao seu
caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente
associada a santidade e a justiça de Deus.
Acham-se
frequentemente descrições da ira de Deus nas passagens narrativas das
escrituras, especialmente quando o povo de Deus peca de forma desenfreada
contra ele. Deus vê a idolatria do povo de Israel e diz a Moisés: “Tenho visto
este povo [...] agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor e eu os consuma” (Êx 32.9-10).
Mais tarde Moisés diz ao povo: “Lembrai-vos e não vos esqueçais de que muito
provocastes à ira o Senhor, vosso Deus, no deserto [...] pois, em Horebe, tanto
provocastes à ira o Senhor, que a ira
do Senhor se acendeu contra vós para vos destruir” (Dt 9.7-8; 2 Rs 22.13).
A doutrina
da ira de Deus nas Escrituras não se limita, porém, ao antigo testamento, como
alguns falsamente imaginam. Lemos em João 3.36: “Quem crê no Filho tem a vida
eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”.
Diz Paulo: “A ira de Deus se revela
no céu contra toda a impiedade e perversão dos homens” (Rm 1.18; 2.5, 8; 5.9;
9.22; Cl 3.6; 1Ts 1.10; 2.16; 5.9; Hb 3.11; Ap 6.16-17; 19.15). Muitos outros
versículos do Novo Testamento afirmam também a ira de Deus diante do pecado.
Discutimos
os atributos divinos que descrevem o seu ser (espiritualidade,
invisibilidade), os seus atributos mentais (conhecimento, sabedoria e
veracidade) e os seus atributos morais (bondade, amor, misericórdia,
graça, paciência, santidade, paz, justiça, zelo e ira). Examinaremos a partir
de agora os atributos divinos de propósito, ou seja, os atributos
ligados à tomada e à execução de decisões (liberdade,
vontade e onipotência).
14. Liberdade. A
liberdade de Deus é o atributo por meio do qual ele faz o que lhe apraz.
Essa definição implica que nada em toda a criação pode impedir que Deus execute
a sua vontade.
A liberdade
divina é mencionada no Salmo 115, em que seu grande poder é contrastado com a
fraqueza dos ídolos: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3). Soberanos humanos não
conseguem se erguer contra Deus nem se opor com sucesso a sua vontade, pois,
“como ribeiros de aguas assim é o coração do rei na mão do senhor; este,
segundo seu querer, o inclina” (Pv 21.1).
Como Deu é livre, não nos cabe tentar encontrar uma resposta mais definitiva para os atos de Deus na criação do que o fato de que ele desejou fazer algo e de que a sua vontade tem liberdade absoluta.
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