segunda-feira, 10 de abril de 2023

O caráter de Deus: Atributos “comunicáveis”

C. Atributos morais

12. Zelo. O zelo de Deus pode ser definido assim: dizer que Deus é zeloso é dizer que Deus busca continuamente proteger a sua honra.

Deus admite, sem rodeios, que seus atos na criação e na redenção se fazem em prol da sua honra. Falando da sua decisão de sustar o juízo do seu povo, diz Deus: “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto [...] A minha glória, não a dou a outrem” (Is 48.11). Para nós, é espiritualmente saudável arraigar nosso coração no fato de que Deus merece toda a honra e toda a glória de sua criação, e de que Ele tem o direito de procurar essa honra. Só ele é infinitamente digno de ser louvado. Perceber esse fato e se deleitar nisso é descobrir o segredo da verdadeira adoração.

13. Ira. A ira de Deus pode ser definida assim: dizer que a ira é atributo de Deus é dizer que ele odeia intensamente o pecado.

Talvez nos surpreenda perceber que a bíblia fala com muita frequência da ira de Deus, porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo que se opõem ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente associada a santidade e a justiça de Deus.

Acham-se frequentemente descrições da ira de Deus nas passagens narrativas das escrituras, especialmente quando o povo de Deus peca de forma desenfreada contra ele. Deus vê a idolatria do povo de Israel e diz a Moisés: “Tenho visto este povo [...] agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor e eu os consuma” (Êx 32.9-10). Mais tarde Moisés diz ao povo: “Lembrai-vos e não vos esqueçais de que muito provocastes à ira o Senhor, vosso Deus, no deserto [...] pois, em Horebe, tanto provocastes à ira o Senhor, que a ira do Senhor se acendeu contra vós para vos destruir” (Dt 9.7-8; 2 Rs 22.13).

A doutrina da ira de Deus nas Escrituras não se limita, porém, ao antigo testamento, como alguns falsamente imaginam. Lemos em João 3.36: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Diz Paulo: “A ira de Deus se revela no céu contra toda a impiedade e perversão dos homens” (Rm 1.18; 2.5, 8; 5.9; 9.22; Cl 3.6; 1Ts 1.10; 2.16; 5.9; Hb 3.11; Ap 6.16-17; 19.15). Muitos outros versículos do Novo Testamento afirmam também a ira de Deus diante do pecado.

 

Discutimos os atributos divinos que descrevem o seu ser (espiritualidade, invisibilidade), os seus atributos mentais (conhecimento, sabedoria e veracidade) e os seus atributos morais (bondade, amor, misericórdia, graça, paciência, santidade, paz, justiça, zelo e ira). Examinaremos a partir de agora os atributos divinos de propósito, ou seja, os atributos ligados à tomada e à execução de decisões (liberdade, vontade e onipotência).

 

14. Liberdade. A liberdade de Deus é o atributo por meio do qual ele faz o que lhe apraz. Essa definição implica que nada em toda a criação pode impedir que Deus execute a sua vontade.

A liberdade divina é mencionada no Salmo 115, em que seu grande poder é contrastado com a fraqueza dos ídolos: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3). Soberanos humanos não conseguem se erguer contra Deus nem se opor com sucesso a sua vontade, pois, “como ribeiros de aguas assim é o coração do rei na mão do senhor; este, segundo seu querer, o inclina” (Pv 21.1).

Como Deu é livre, não nos cabe tentar encontrar uma resposta mais definitiva para os atos de Deus na criação do que o fato de que ele desejou fazer algo e de que a sua vontade tem liberdade absoluta. 

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