segunda-feira, 10 de abril de 2023

 O caráter de Deus: atributos “comunicáveis”

 

C. Atributos morais

 

9. Santidade. Dizer que Deus tem como atributo a santidade é dizer que Ele é separado do pecado e dedica-se a buscar a sua própria honra. A ideia de santidade, abarcando tanto a separação do mal quanto a dedicação de Deus à sua própria glória, encontra-se em várias passagens do Antigo Testamento.

O lugar onde o próprio Deus habitava era ele mesmo santo: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar?” (Sl 24.3). O próprio Deus é chamado Santíssimo e também “Santo de Israel” (Sl 71.22; 78.41; 89.11.18; Is 1.4; 5.19,24). Os serafins em torno do trono de Deus bradam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia de sua glória” (Is 6.3).

A santidade de Deus traça o parâmetro que seu povo deve imitar. Os crentes devem seguir “a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor” (Hb 12.14), e saber que a disciplina de Deus vem para que sejamos “participantes da sua santidade” (Hb 12.10).

 

10. Paz (ou ordem). A paz de Deus pode ser definida assim: dizer que Deus tem a paz como um dos seus atributos é dizer que no seu ser e nos seus atos Deus está apartado de toda confusão e desordem; porém, é incessantemente ativo em atos simultâneos, bem-ordenados e plenamente controlados.

Essa definição indica que a paz de Deus nada tem que ver com inatividade, mas com atividade ordenada e controlada. Tal atividade infinita, logicamente, demanda de Deus infinita sabedoria, conhecimento e poder.

Em 1 Coríntios 14.33, Paulo diz: “Deus não é de confusão, e sim de paz”. Embora “paz e ordem” não sejam tradicionalmente classificadas como atributos divinos, Paulo aqui sugere outra qualidade que poderíamos conceber como atributos distintos de Deus. Paulo diz que os atos de Deus se caracterizam pela “paz” e não pela “desordem”. O próprio Deus é “O Deus de paz” (RM 15.33;16.20; FP 4.9; 1Ts 5.23; Hb 13.20; 2Ts 3.16). Mas quem anda na iniquidade não tem paz: “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor” (Is 48.22; 57.21).

 

Compreendendo assim a paz de Deus, podemos ver como imitação desse atributo de Deus não só a “paz” que faz parte do fruto do Espírito em Gálatas 5.22-23, mas também o último elemento mencionado na relação do fruto do Espírito, a saber, o “domínio próprio” (Gl 5.23).

 

11. Retidão, justiça. Dizer que a justiça é um dos atributos divinos é dizer que Deus sempre age segundo o que é justo, e que ele mesmo é o parâmetro definitivo do que é justo.

Falando de Deus, Moisés diz: “Todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto” (Dt 32.4). Abraão apela com êxito ao caráter justo de Deus quando diz: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). Deus também fala e exige o que é reto: “Os preceitos do Senhor são retos e a alegram o coração” (Sl 19.8). E Deus diz de si mesmo: “Eu, o Senhor, falo a verdade e proclamo o que é direito” (Is 45.19).

Como consequência da justiça de Deus, ele necessariamente trata as pessoas segundo o que merecem. Assim, é necessário que Deus puna o pecado, pois ele não merece recompensa; é errado e merece punição.

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