O Caráter de Deus: Atributos “Comunicáveis”
Em que aspectos é Deus como nós nos atributos da
vontade e nos que sintetizam sua excelência?
E. Atributos de síntese
19. Beleza. A beleza é o atributo divino por meio do qual Deus se revela a soma de
todas as qualidades desejáveis. Esse atributo divino está implícito em vários
atributos anteriores e é especialmente associado à perfeição de Deus. Porém, a
perfeição de Deus foi definida de uma forma que mostra que ele não carece de
nada que lhe seria desejável. Este atributo, a beleza, se define de uma maneira
positiva, para mostrar que Deus de fato possui todas as qualidades desejáveis:
“Perfeição” significa que Deus não carece de nada desejável; “beleza” significa
que Deus tem tudo que é desejável. São duas formas diferentes de declarar a
mesma verdade.
Davi
fala da beleza do Senhor em Salmos 27.4: “Uma coisa peço ao Senhor, e a
buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para contemplar a beleza do Senhor e
meditar no seu tempo”. Ideia semelhante
se exprime noutro Salmo: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me
compraza na terra” (Sl 73.25-26). Nos dois casos o salmista reconhece que seu
desejo de Deus, que é a soma de tudo que é desejável, ultrapassa de longe todos
os outros desejos. Esse desejo culmina num anseio de estar perto de Deus e de
desfrutar da sua presença eternamente.
A beleza da nossa vida é tão importante para
Cristo que seu proposito hoje é santificar toda a igreja “Para a apresentar a
si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, porém santa e sem defeito” (Ef
5.27). Assim, individual e coletivamente, espelhamos a beleza de Deus em cada
aspecto em que exibimos o seu caráter. Se espelhamos o seu caráter, ele se
alegra em nós e nos acha belos.
20. Glória. Num dos seus sentidos a palavra Glória
significa simplesmente “honra” ou “reputação excelente”. Esse é o
significado do termo em Isaias 43.7, em que Deus fala dos seus filhos, “que
criei para a minha glória”, ou em Romanos 3.23, que diz que “todos pecaram e
carecem da glória de Deus”. Nesse sentido, a glória de Deus não é exatamente um
atributo do seu ser, mas antes descreve a suprema honra que devemos render a
Deus por tudo que há no universo. Mas, nesta seção, não é esse o sentido da
palavra glória.
Noutro
sentido, a “glória” significa a clara luz que circunda a presença de Deus. Como
Deus é espirito, e não energia nem matéria, essa luz visível não faz parte do
ser divino, mas é algo criado. Podemos definir assim: a glória de Deus é o brilho criado que circunda a revelação do próprio
Deus.
As
Escrituras falam frequentemente da glória de Deus. Davi pergunta: “Quem é esse
Rei da Glória? O Senhor do Exércitos, ele é o Rei da Glória” (Sl 24.10). Lemos
em Salmos 104.1-2: “Senhor, Deus meu, como tu és magnificente: sobrevestido de
glória e majestade, coberto de luz como manto...” Essa gloria de Deus é muitas
vezes mencionada no Antigo Testamento.
É
mencionada novamente no Novo Testamento, ligada ao anúncio do nascimento de
Jesus aos pastores: “E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles;
e ficaram tomados de grande temor” (Lc 2.9). A glória de Deus também ficou
patente na transfiguração de Cristo (Mt 17.2), e da futura cidade celeste
sabemos que “a cidade não precisa nem de sol, nem da lua, para lhe darem
claridade, pois a Glória de Deus a
iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21.23).
Surpreendente é de fato, então, perceber que Deus nos criou para espelhar a sua glória. Paulo nos diz que agora, como cristãos, “somos transformados, de glória em gloria na sua própria imagem” (2Co 3.18; Mt 5.16; Fp 2.15).
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