segunda-feira, 10 de abril de 2023

O Caráter de Deus: Atributos “Comunicáveis”

Em que aspectos é Deus como nós nos atributos da vontade e nos que sintetizam sua excelência?

 

E. Atributos de síntese

 

19. Beleza. A beleza é o atributo divino por meio do qual Deus se revela a soma de todas as qualidades desejáveis. Esse atributo divino está implícito em vários atributos anteriores e é especialmente associado à perfeição de Deus. Porém, a perfeição de Deus foi definida de uma forma que mostra que ele não carece de nada que lhe seria desejável. Este atributo, a beleza, se define de uma maneira positiva, para mostrar que Deus de fato possui todas as qualidades desejáveis: “Perfeição” significa que Deus não carece de nada desejável; “beleza” significa que Deus tem tudo que é desejável. São duas formas diferentes de declarar a mesma verdade.

Davi fala da beleza do Senhor em Salmos 27.4: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu tempo”.  Ideia semelhante se exprime noutro Salmo: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.25-26). Nos dois casos o salmista reconhece que seu desejo de Deus, que é a soma de tudo que é desejável, ultrapassa de longe todos os outros desejos. Esse desejo culmina num anseio de estar perto de Deus e de desfrutar da sua presença eternamente.

A beleza da nossa vida é tão importante para Cristo que seu proposito hoje é santificar toda a igreja “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27). Assim, individual e coletivamente, espelhamos a beleza de Deus em cada aspecto em que exibimos o seu caráter. Se espelhamos o seu caráter, ele se alegra em nós e nos acha belos.

 

20. Glória. Num dos seus sentidos a palavra Glória significa simplesmente “honra” ou “reputação excelente”. Esse é o significado do termo em Isaias 43.7, em que Deus fala dos seus filhos, “que criei para a minha glória”, ou em Romanos 3.23, que diz que “todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Nesse sentido, a glória de Deus não é exatamente um atributo do seu ser, mas antes descreve a suprema honra que devemos render a Deus por tudo que há no universo. Mas, nesta seção, não é esse o sentido da palavra glória.

Noutro sentido, a “glória” significa a clara luz que circunda a presença de Deus. Como Deus é espirito, e não energia nem matéria, essa luz visível não faz parte do ser divino, mas é algo criado. Podemos definir assim: a glória de Deus é o brilho criado que circunda a revelação do próprio Deus.

As Escrituras falam frequentemente da glória de Deus. Davi pergunta: “Quem é esse Rei da Glória? O Senhor do Exércitos, ele é o Rei da Glória” (Sl 24.10). Lemos em Salmos 104.1-2: “Senhor, Deus meu, como tu és magnificente: sobrevestido de glória e majestade, coberto de luz como manto...” Essa gloria de Deus é muitas vezes mencionada no Antigo Testamento.

É mencionada novamente no Novo Testamento, ligada ao anúncio do nascimento de Jesus aos pastores: “E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor” (Lc 2.9). A glória de Deus também ficou patente na transfiguração de Cristo (Mt 17.2), e da futura cidade celeste sabemos que “a cidade não precisa nem de sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a Glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21.23).

Surpreendente é de fato, então, perceber que Deus nos criou para espelhar a sua glória. Paulo nos diz que agora, como cristãos, “somos transformados, de glória em gloria na sua própria imagem” (2Co 3.18; Mt 5.16; Fp 2.15). 

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