segunda-feira, 10 de abril de 2023

 C. Atributos morais

6. Bondade. A bondade de Deus implica que ele é o parâmetro definitivo do que é bom, e que tudo que Deus é e faz é digno de aprovação.

Nessa definição, vemos uma situação semelhante à que encontramos na definição de Deus como Deus verdadeiro. Aqui, “bom” pode ser interpretado como “digno de aprovação”, mas ainda falta responder a seguinte pergunta: aprovação de quem? Em certo sentido, podemos dizer que qualquer coisa que seja verdadeiramente boa deve ser digna da nossa aprovação. Mas no sentido mais absoluto, não somos livres para decidir por conta própria o que é digno de aprovação e o que não o é. Em última análise, portanto, o ser e os atos de Deus são perfeitamente dignos da sua própria aprovação. Ele é, assim, o parâmetro definitivo do que é bom. Jesus afirma isso ao dizer: “Ninguém é bom, se não um, que é Deus” (Lc 18.19).

Reproduzindo esse atributo comunicável, devemos também nós fazer o bem e assim imitar a bondade do nosso Pai celestial. Escreve Paulo: “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6.10).

A bondade de Deus está intimamente ligada a várias outras características da sua natureza, entre elas o amor, a misericórdia, a paciência e a graça. As vezes essas características são consideradas atributos separados, sendo tratadas individualmente. Noutras vezes, são vistas como componentes da bondade de Deus e tratadas como aspectos diversos desse atributo divino. Trataremos o amor como atributo separado, por receber tanto destaque nas Escrituras. As outras três características (misericórdia, paciência e graça), embora também proeminentes na Bíblia serão analisadas conjuntamente, como aspectos da bondade de Deus para com as pessoas em situações especificas.

 

7. Amor. Dizer que Deus tem o amor como atributo é dizer que ele se doa eternamente aos outros.

Essa definição interpreta o amor como uma doação de si mesmo em benefício dos outros. Esse atributo de Deus mostra que faz parte da sua natureza doar-se a fim de distribuir bênçãos ou o bem aos outros.

João nos diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8). Temos sinais de que esse atributo de Deus já existia antes da criação entre os membros da Trindade. Jesus fala ao pai dá “Glória que me conferistes, porque me amastes antes da fundação do mundo” (Jo 17.24), indicando assim que o Pai já amava e honrava o Filho desde a eternidade. E continua até hoje, pois lemos: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado as suas mãos” (Jo 3.35).

Imitamos esse atributo comunicável de Deus, antes de mais nada, amando também a Deus, e depois amando os outros assim como Deus os ama. Todas as nossas obrigações diante de Deus podem ser resumidas da seguinte forma: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento [...] Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-39).

 

8. Misericórdia, graça, paciência. A misericórdia, a paciência, e a graça divina podem ser tidas como três atributos separados ou como aspectos particulares da bondade de Deus. As definições dadas aqui apresentam esses atributos como casos especiais da bondade de Deus quando empregada em benefício de categorias especificas de pessoas.

A misericórdia de Deus é a bondade divina para com os angustiados e aflitos.

A graça de Deus é a bondade divina para com os que só merecem castigo.

A paciência de Deus é a bondade divina no sustar a punição daqueles que persistem no pecado por determinado tempo.

A misericórdia é frequentemente enfatizada quando as pessoas estão angustiadas ou aflitas. Diz Davi, por exemplo: “Estou em grande angustia; porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias...” (2Sm 24.14). Em momentos de necessidade somos atraídos para o trono de Deus para que recebamos a misericórdia e a graça (Hb 4.16; Tg 5.11). Devemos imitar a misericórdia de Deus na nossa conduta em relação aos outros: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5.7).

Com respeito ao atributo da graça, vemos que as Escritura enfatizam que a graça divina, ou seu favor para com aqueles que não merecem favor, mas só punição, jamais é compulsória, mas sempre dada gratuitamente por Deus. Diz o Senhor: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33.19).

O Antigo Testamento com frequência diz que Deus é “longânimo” (Êx 34.6; Nm 14.18; Sl 86.15; 103.8; 145.8; Jn 4.2; Na 1.3). No Novo Testamento, Paulo fala da “bondade, e tolerância, e longanimidade” de Deus (Rm 2.4).

Cada um de nós deve também imitar a paciência de Deus, sendo “tardio para se irar” (Tg 1.19) e paciente no sofrimento como Cristo o foi (1Pe 2.20). A longanimidade é relacionada como fruto do Espírito em Gálatas 5.22.

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