C. Atributos morais
6. Bondade. A
bondade de Deus implica que ele é o parâmetro definitivo do que é bom, e que
tudo que Deus é e faz é digno de aprovação.
Nessa definição, vemos uma situação semelhante à que
encontramos na definição de Deus como Deus verdadeiro. Aqui, “bom” pode ser
interpretado como “digno de aprovação”, mas ainda falta responder a seguinte
pergunta: aprovação de quem? Em certo sentido, podemos dizer que qualquer coisa
que seja verdadeiramente boa deve ser digna da nossa aprovação. Mas no sentido
mais absoluto, não somos livres para decidir por conta própria o que é digno de
aprovação e o que não o é. Em última análise, portanto, o ser e os atos de Deus
são perfeitamente dignos da sua própria aprovação. Ele é, assim, o parâmetro
definitivo do que é bom. Jesus afirma isso ao dizer: “Ninguém é bom, se não um,
que é Deus” (Lc 18.19).
Reproduzindo esse atributo comunicável, devemos também nós
fazer o bem e assim imitar a bondade do nosso Pai celestial. Escreve Paulo:
“Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas
principalmente aos da família da fé” (Gl 6.10).
A bondade de Deus está intimamente ligada a várias outras
características da sua natureza, entre elas o amor, a misericórdia, a paciência
e a graça. As vezes essas características são consideradas atributos separados,
sendo tratadas individualmente. Noutras vezes, são vistas como componentes da
bondade de Deus e tratadas como aspectos diversos desse atributo divino.
Trataremos o amor como atributo separado, por receber tanto destaque nas
Escrituras. As outras três características (misericórdia, paciência e graça),
embora também proeminentes na Bíblia serão analisadas conjuntamente, como
aspectos da bondade de Deus para com as pessoas em situações especificas.
7. Amor. Dizer
que Deus tem o amor como atributo é dizer que ele se doa eternamente aos
outros.
Essa definição interpreta o amor como uma doação de si mesmo
em benefício dos outros. Esse atributo de Deus mostra que faz parte da sua
natureza doar-se a fim de distribuir bênçãos ou o bem aos outros.
João nos diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8). Temos sinais de que
esse atributo de Deus já existia antes da criação entre os membros da Trindade.
Jesus fala ao pai dá “Glória que me conferistes, porque me amastes antes da fundação do mundo” (Jo 17.24), indicando assim que
o Pai já amava e honrava o Filho desde a eternidade. E continua até hoje, pois
lemos: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado as suas mãos” (Jo
3.35).
Imitamos esse atributo comunicável de Deus, antes de mais
nada, amando também a Deus, e depois amando os outros assim como Deus os ama.
Todas as nossas obrigações diante de Deus podem ser resumidas da seguinte
forma: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e
de todo o teu entendimento [...] Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt
22.37-39).
8. Misericórdia, graça,
paciência. A
misericórdia, a paciência, e a graça divina podem ser tidas como três atributos
separados ou como aspectos particulares da bondade de Deus. As definições dadas
aqui apresentam esses atributos como casos especiais da bondade de Deus quando
empregada em benefício de categorias especificas de pessoas.
A misericórdia de
Deus é a bondade divina para com os angustiados e aflitos.
A graça de Deus é a
bondade divina para com os que só merecem castigo.
A paciência de Deus
é a bondade divina no sustar a punição daqueles que persistem no pecado por
determinado tempo.
A misericórdia é
frequentemente enfatizada quando as pessoas estão angustiadas ou aflitas. Diz
Davi, por exemplo: “Estou em grande angustia; porém caiamos nas mãos do Senhor,
porque muitas são as suas misericórdias...”
(2Sm 24.14). Em momentos de necessidade somos atraídos para o trono de Deus
para que recebamos a misericórdia e a graça (Hb 4.16; Tg 5.11). Devemos imitar a
misericórdia de Deus na nossa conduta em relação aos outros: “Bem-aventurados
os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5.7).
Com respeito ao atributo da graça, vemos que as Escritura enfatizam que a graça divina, ou seu
favor para com aqueles que não merecem favor, mas só punição, jamais é
compulsória, mas sempre dada gratuitamente por Deus. Diz o Senhor: “Terei
misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me
compadecer” (Êx 33.19).
O Antigo Testamento com frequência
diz que Deus é “longânimo” (Êx 34.6; Nm 14.18; Sl 86.15; 103.8; 145.8; Jn 4.2;
Na 1.3). No Novo Testamento, Paulo fala da “bondade, e tolerância, e
longanimidade” de Deus (Rm 2.4).
Cada um de nós deve também imitar a paciência de Deus, sendo
“tardio para se irar” (Tg 1.19) e paciente no sofrimento como Cristo o foi (1Pe
2.20). A longanimidade é relacionada como fruto do Espírito em Gálatas 5.22.
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