segunda-feira, 10 de abril de 2023

 O Caráter de Deus: Atributos “comunicáveis”

Em que aspectos é Deus como nós nos atributos da vontade e nos que sintetizam a sua excelência?

 

D. Atributos de propósito

Nesta categoria de atributos discutiremos a vontade de Deus em geral, a liberdade da vontade de Deus e finalmente a onipotência da sua vontade.

 

15. Vontade. A vontade de Deus é o atributo por meio do qual ele aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação.

Essa definição indica que a vontade de Deus tem que ver com a decisão e com a provação das coisas que Deus é e faz. Envolve as escolhas divinas do que fazer e do que não fazer.

A.    A vontade de Deus em geral. As Escrituras frequentemente indicam a vontade de Deus como razão definitiva ou absoluta para qualquer coisa que acontece. Paulo se refere a Deus como aquele “que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).

 

Mais especificamente, todas as coisas foram criadas pela vontade de Deus: “Porque todas as coisas tu criastes, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4.11). Tanto o Antigo como o Novo Testamento falam que o governo humano vem segundo a vontade de Deus: a voz celeste diz a Nabucodonosor que ele deve aprender “que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4.32), e Paulo diz que “Não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13.1).

 

B.     Distinções nos aspectos da vontade de Deus: (1) vontade necessária e vontade livre. A vontade necessária de Deus abarca tudo que ele tem obrigatoriamente de desejado conforme a sua natureza. E o que Deus necessariamente deseja? Deseja a si próprio. Deus eternamente deseja ser, ou quer ser, quem ele é e o que ele é. Diz ele: “Eu Sou o que Sou” ou “Eu Serei o que Serei” (Êx 3.14). Deus não pode decidir ser diferente do que é, nem deixar de existir.

 

A vontade livre ou o livre-arbítrio de Deus encerra todas as coisas que Deus decidiu desejar sem necessariamente ter de desejar conforme a sua vontade aqui precisamos enquadrar a decisão divina de criar o universo, além de todas as decisões ligadas aos detalhes da criação. Aqui também devemos enquadrar todos os atos redentores de Deus.

 

(2) Vontade secreta e vontade revelada. Segundo Moisés, “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). As coisas que Deus nos revela nos são dadas para que obedeçamos a sua vontade: “...para que cumpramos todas as palavras desta lei”. Porém, certamente ele não lhes revelou muitos outros aspectos do seu plano, muitos detalhes sobre acontecimentos futuros, detalhes específicos das suas dificuldades ou da sua felicidade, e por aí afora. No tocante a essas coisas, eles deveriam simplesmente crer em Deus.

 

16. Onipotência. A onipotência é o atributo de Deus que lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade.

 

Esse poder é frequentemente mencionado nas Escrituras. Deus é “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas” (Sl 24.8). A pergunta retorica: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14; Jr 32.27) certamente implica que nada é difícil demais para o Senhor. De fato, Jeremias fala a Deus: “...coisa algum te é demasiadamente maravilhosa” (Jr 32.17).

 

Há, porém, algumas coisas que Deus não pode fazer. Deus não pode desejar nem fazer nada que negue o seu caráter. É por isso que a definição da onipotência é lavrada em termos da capacidade divina de fazer “tudo o que for da sua santa vontade”.

 

O exercício do poder divino sobre toda a criação é também chamado soberania. A soberania de Deus é o exercício do governo sobre a criação.

 

Para concluir a discussão dos atributos divinos de proposito, importa perceber que ele nos fez de maneira tal que no nosso viver revelamos um tênue reflexo de cada um deles. Deus nos fez criaturas dotadas de vontade. Exercemos o direito de escolha e tomamos decisões de fato com relação aos acontecimentos da nossa vida. Embora nossa vontade não seja absolutamente livre como a de Deus, assim mesmo eles nos deu liberdade relativa dentro da nossa esfera de atividade do universo que criou.

 

Não temos, logicamente, poder infinito ou onipotência, assim como também não temos liberdade infinita nem nenhum dos outros atributos divinos em grau infinito. Mas embora não tenhamos onipotência, Deus nos deu poder para gerar resultados.

 

 

                                               

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