O Caráter de Deus: Atributos “comunicáveis”
Em que aspectos é Deus como nós nos
atributos da vontade e nos que sintetizam a sua excelência?
D. Atributos de propósito
Nesta categoria de atributos
discutiremos a vontade de Deus em geral, a liberdade da vontade de Deus e
finalmente a onipotência da sua vontade.
15. Vontade. A
vontade de Deus é o atributo por meio do qual ele aprova e decide executar todo
ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a
criação.
Essa definição indica que a vontade
de Deus tem que ver com a decisão e com a provação das coisas que Deus é e faz.
Envolve as escolhas divinas do que fazer e do que não fazer.
A.
A vontade de Deus em
geral.
As Escrituras frequentemente indicam a vontade de Deus como razão definitiva ou
absoluta para qualquer coisa que acontece. Paulo se refere a Deus como aquele
“que faz todas as coisas conforme o
conselho da sua vontade” (Ef 1.11).
Mais especificamente, todas as coisas foram
criadas pela vontade de Deus: “Porque todas as coisas tu criastes, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e
foram criadas” (Ap 4.11). Tanto o Antigo como o Novo Testamento falam que o
governo humano vem segundo a vontade de Deus: a voz celeste diz a Nabucodonosor
que ele deve aprender “que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o
dá a quem quer” (Dn 4.32), e Paulo diz que “Não há autoridade que não proceda
de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13.1).
B.
Distinções nos aspectos
da vontade de Deus: (1) vontade necessária e vontade livre. A vontade necessária de
Deus abarca tudo que ele tem obrigatoriamente de desejado conforme a sua
natureza. E o que Deus necessariamente deseja? Deseja a si próprio. Deus
eternamente deseja ser, ou quer ser, quem ele é e o que ele é. Diz ele: “Eu Sou
o que Sou” ou “Eu Serei o que Serei” (Êx 3.14). Deus não pode decidir ser
diferente do que é, nem deixar de existir.
A vontade livre ou o livre-arbítrio de Deus
encerra todas as coisas que Deus decidiu desejar sem necessariamente ter de
desejar conforme a sua vontade aqui precisamos enquadrar a decisão divina de
criar o universo, além de todas as decisões ligadas aos detalhes da criação.
Aqui também devemos enquadrar todos os atos redentores de Deus.
(2) Vontade
secreta e vontade revelada. Segundo Moisés, “As coisas encobertas pertencem ao Senhor,
nosso Deus, porém as reveladas nos
pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as
palavras desta lei” (Dt 29.29). As coisas que Deus nos revela nos são dadas
para que obedeçamos a sua vontade: “...para que cumpramos todas as palavras desta lei”. Porém, certamente ele não
lhes revelou muitos outros aspectos do seu plano, muitos detalhes sobre
acontecimentos futuros, detalhes específicos das suas dificuldades ou da sua
felicidade, e por aí afora. No tocante a essas coisas, eles deveriam simplesmente
crer em Deus.
16.
Onipotência. A onipotência é o atributo
de Deus que lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade.
Esse poder é frequentemente mencionado nas
Escrituras. Deus é “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas
batalhas” (Sl 24.8). A pergunta retorica: “Acaso, para o Senhor há coisa
demasiadamente difícil?” (Gn 18.14; Jr 32.27) certamente implica que nada é
difícil demais para o Senhor. De fato, Jeremias fala a Deus: “...coisa algum te
é demasiadamente maravilhosa” (Jr 32.17).
Há, porém, algumas coisas que Deus não pode
fazer. Deus não pode desejar nem fazer nada que negue o seu caráter. É por isso
que a definição da onipotência é lavrada em termos da capacidade divina de
fazer “tudo o que for da sua santa vontade”.
O exercício do poder divino sobre toda a criação
é também chamado soberania. A soberania de Deus é o exercício do governo sobre
a criação.
Para concluir a discussão dos atributos divinos
de proposito, importa perceber que ele nos fez de maneira tal que no nosso
viver revelamos um tênue reflexo de cada um deles. Deus nos fez criaturas
dotadas de vontade. Exercemos o direito de escolha e tomamos decisões de fato
com relação aos acontecimentos da nossa vida. Embora nossa vontade não seja
absolutamente livre como a de Deus, assim mesmo eles nos deu liberdade relativa
dentro da nossa esfera de atividade do universo que criou.
Não temos, logicamente, poder infinito ou
onipotência, assim como também não temos liberdade infinita nem nenhum dos
outros atributos divinos em grau infinito. Mas embora não tenhamos onipotência,
Deus nos deu poder para gerar resultados.
Sem comentários:
Enviar um comentário