segunda-feira, 26 de junho de 2023

Juízo de Deus (III)

 


Estamos prestes a chegar ao fim do capítulo dois. Até aqui, olhando para três grandes blocos que meditamos (Rm 1.18-32; 2.1-8; 2.9-16), Paulo estabelece duas certezas que, de forma alguma, podem escapar da consciência do crente: 1 - O ímpio, por negar a Deus, rejeitar a clara mensagem e viver parcamente será condenado. 2 - O justo por se achar melhor, escudado na lei, juiz dos outros e seus pecados, e ainda, ser praticante dos mesmos pecados, também está condenado. A síntese paulina é: Todos são indesculpáveis! Hoje, no terceiro bloco, Paulo concretiza sua proposição mostrando a imparcialidade e a justiça de Deus. Além disso, crentes e descrentes recebem o justo juízo que eles merecem. Nos versos nove a onze, Paulo reitera o que estabeleceu nos versos anteriores; o homem receberá diante de Deus aquilo que é justo. Os réprobos, condenação. Os justos, vida eterna. No seu discurso, Paulo deixa claro que, tanto justo, quanto injusto, os são explicitamente. Aqui, não existem intenções ou desejos de vingança da parte do apóstolo ou de Deus para condenações sumárias. Não é isso. O ímpio simplesmente receberá aquilo que ele buscou e fez a vida inteira. E da mesma forma, não encontramos um favoritismo ou preterismo para proteger algumas pessoas, nesse caso, os crentes, que por fé salvífica, seguiram suas vidas em obediência ao santo evangelho de Cristo: (Rm 2.9) “...Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal…” (Rm 2.10) “...glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem…”. Uma verdade metafísica está explícita nos dois grupos; O resumo de suas vidas está naquilo que eles receberam de Deus. Um, os ímpios, nitidamente receberam a revelação natural, foram beneficiados pelas certezas intrínsecas em seus corações, chegam a ver os atributos de Deus na criação, mas escolheram rejeitá-los e levantaram outros Deuses. Os justos, informados pela Palavra, tratados pelo Espírito Santo, escolheram conhecer e viver num relacionamento profundo com Deus. O princípio de tudo é Deus se revelando. Tanto crentes, como os descrentes, segundo o que nos ensina Paulo, viverão eternamente aquilo que mais amam, lutam, se esforçam aqui no presente momento de vida. Ou seja, o que queremos eternamente é aquilo que mais praticamos e vivemos no nosso dia a dia. No verso onze, Paulo mostra por que ele fala dessa maneira. A certeza de Paulo é a Pessoa de Deus: “Porque para com Deus não há acepção de pessoas”. Duas grandes verdades ficam nítidas neste verso 1 - Deus é justo 2 - Assim como Paulo, todo crente deve desenvolver um conhecimento apurado da pessoa de Deus. Só assim seus posicionamentos serão justos. Os últimos versos desse bloco são doze a dezesseis. Aqui, Paulo estabelece certezas duras e lindas: 1 - Deus não irá julgar ninguém por aquilo que ele não possui responsabilidade ou conhecimento. Ou seja, Deus não trará recompensas ou condenações erradamente. Os que nunca ouviram da lei, de forma alguma serão julgados pela lei. Os recebedores da lei são julgados pela lei. Os crentes de hoje, por terem maior conhecimento de Deus, terão talvez, como dizem muitos estudiosos, um julgamento mais severo e contundente; os crentes de hoje possuem o evangelho. Além da mensagem natural, a lei de Moisés, nós fomos laureados com o evangelho escrito. 2 - Paulo finaliza no verso dezesseis dizendo que o juiz naquele grande dia será Jesus. Ele julgará todo o mundo. Nada passará. Até os segredos dos homens serão julgados. E o instrumento utilizado para o julgamento será o evangelho.

domingo, 18 de junho de 2023

Juízo de Deus (II)

 



Dias anteriores quando tivemos a oportunidade de meditarmos no texto de Mt 7.1-5, Sermão do Monte. Pude escrever também sobre essa demanda de juízo. Naquele momento, Jesus doutrinava e evangelizava. Julgar é matéria importantíssima para Cristo. Pois, discípulos, judaizantes e impíos deveriam aprender. Quero fazer algumas perguntas, que sugestivamente, cada leitor deve responder para si mesmo. Quais juízos estamos estabelecendo sobre o nosso próximo? Segundo o que está sendo pregado nesses últimos domingos, eu estou enquadrado no lugar certo de julgar? Se estou julgando… se não, certamente estou! Meus juízos estão corretos com os ensinamentos Bíblicos? Deus tem se agradado daquilo que tenho julgado nos outros? Definitivamente, as respostas dessas perguntas apontam para uma condição de vida cristã. Condição essa que deve seguir criteriosamente os ensinos bíblicos; pois, julgar coisas, situações e pessoas é lato na vida de todos os homens, quer crente ou descrente. A parte que será exposta hoje no texto de Rm 2, continua mostrando a condição delicada de um julgador. Paulo tendo como comunidade leitora, uma igreja pequena, lá na cidade de Roma, instrui aos prováveis ou certos julgadores que ali congregavam. Além deles, todos também deveriam aprender; conhecer os limites humanos do juízo e saberem que Deus não se agrada nada dessa empáfia. O julgador é apresentado por Paulo como alguém que está numa situação diante de Deus, bem difícil. O tal acumula sobre si mesmo marcas, práticas e características muito perigosas para um único ser humano. Eu, forçosamente, chamo-o de o desafiador de Deus. Um camarada que passa sobre todos os limites, e ainda tem certezas de sua vida eterna, tranquila e cheia de recompensas. Dos versos três a oito serão nosso baluarte de aprendizado. Bem no verso três, Paulo aponta suas palavras para o juiz: “...Tu, ó homem…”. Duas marcas revolucionárias são destacadas por Paulo sobre o doutor: 1 - Condena os ímpios, e naquilo que ele condena, ele mesmo pratica. 2 - Acredita que está fora do juízo de Deus. Ou seja, o magistrado aqui condena todo mundo, e naquele grande dia, por motivos plurais, acredita que está fora da possibilidade de algum tipo de juízo de Deus. Este e tantos outros condenadores se caracterizam por terem olhos atentos para os pecados dos outros. E lutam para suavizar os seus. É importante salientar, que em nenhum momento o apóstolo Paulo está proibindo os juízos. O que Paulo e toda a Escritura Sagrada condenam é o juiz condenador. Duas práticas sórdidas são salientadas por Paulo sobre o juiz no verso quatro: 1 - ignorante 2 - desprezador. “... Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância e longanimidade”. “...Ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento”. Esse juiz está tão cego, que não consegue entender que Deus está sendo tardio, não só com os demais ímpios, mas também com ele. O propósito de Deus tardar seus acertos é dar tempo para tais homens se arrependerem e mudarem de vida.  A outra prática desse homem é triste e gélida; não consegue, ou consegue e desconsidera, reconhecer os atributos de Deus. Ter olhos voltados para as mazelas das pessoas, e um coração empedernido e julgador, fez desse homem um crente que desconhece e desconsidera o próprio Deus. No verso cinco, Paulo mostra mais problemas: 1 - duro. 2 - de coração impenitente. 3 - acumulador de ira. Todas essas e as anteriores marcas desse homem, mostram que ele é alguém que caminha apressadamente para aquele grande dia; o dia do juízo final. Para ser condenado. Pela época, região, e situação da comunidade leitora de Paulo, esse homem provavelmente estava escudado em certezas religiosas que o livraria do afastamento de Deus. Ter genealogia. Estar numa igreja. Ser oriundo do judaísmo, e afins, era muita coisa para ele e tantos. Mas biblicamente, nem isso, nem nada mais é algo que possa ser égide humano diante de Deus. A segurança do crente está somente em Jesus, O Salvador de nossas vidas.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Juízo de Deus

 O capítulo dois de Romanos nos remete para as palavras de Jesus, lá no Sermão do Monte, (Mt 7.1-5) “Não julgueis, para que não sejas julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão”. Jesus doutrinou e evangelizou. Paulo repetiu aqui, e existem outras passagens na Bíblia que também mostram os mesmos ensinos. Mas é muito provável encontrarmos crentes juízes de causas, coisas e pessoas até os dias de hoje. E digo mais, até o último dia da existência do homem na terra, existirão pessoas assim. E pior, fazemos parte desse número de julgadores. Pseudos irmãos que são decretadores de sentenças temerárias. Pessoas que não possuem um mínimo de misericórdia e compaixão. O mesmo era fato na comunidade leitora de Paulo (Rm 1.1-7). A igreja de Roma era uma pequena comunidade. Parece que, precoce em idade, mas robusta no seu testemunho de Cristo. Uma igreja que estava firme, apesar de estar em Roma, um lugar repleto de atrações pecaminosas e tentações de todas as formas possíveis. Oxalá, parássemos aqui nos detalhamentos. A igreja de Roma também era um lugar de pessoas tribulosas. Religiosos e gentios que não haviam de fato sido convertidos. Pessoas que davam muito trabalho, e comumente atrapalham muito a vida daqueles que haviam sido chamados pelo próprio Senhor. As cartas de Paulo são recheadas de combates, e os principais temas são: Circuncisão, genealogias, heresias,  votos e tradições. E aqui em Romanos, havia um problema que Paulo estava combatendo, o juízo temerário/condenador. A forma brilhante de instruir esses irmãos é essa: 1 - Só Deus é o Reto Juiz (Rm 2.2)! Essa proposição de Paulo deixa bem claro sobre os juízos; o único que pode julgar de forma honesta e verdadeira é somente Deus. Para o homem isso é impossível, pois o mesmo julga aquilo que ele mesmo faz (Rm 2.1,3). 2 - O homem é caído/pecador (Rm 1.18-32; 3.23)! Após a queda dos nossos pais no jardim do Éden, fomos marcados de tal maneira, que somos incapacitados de glorificar a Deus. Nossa vida como um todo foi conspurcada. É impossível para o homem agradar a Deus, exceto se o Senhor Deus tiver propósitos na vida daquele pecador ou através da vida dele. Transformado ou não, o homem não tem o direito de fazer juízos condenatórios. 3 - Todos os homens são indesculpáveis diante de Deus (Rm 1.20; 2.1)! Tudo o que o homem precisa para poder responder positivamente diante de Deus, ele tem. Destarte, entendemos que nossas práticas de vida devem, cotidianamente demonstrar Cristo, Senhor das nossas vidas. 4 - O judeu/crente verdadeiro começa no coração (Rm 2.25-29)! O verdadeiro crente sempre será aquele que vive produzindo frutos. Detalhe, em silêncio, para que seus frutos não lhes tributem reconhecimento.


domingo, 4 de junho de 2023


 Certamente esse é um dos textos mais duros de toda a Bíblia. Sua contundência não se dá por violências, exposições frívolas ou práticas ruins explícitas acontecendo, principalmente, com pessoas indefesas. O texto é inexorável, ele mostra a vida e comportamento daqueles que não fazem parte da família de Deus. Como é indecorosa a vida dos ímpios. Ao nos depararmos com esse texto, imediatamente nos assustamos, pois, para a maioria dos crentes dos dias de hoje, conviver próximo de ímpios é uma realidade. Verdade esta, que muitas vezes, a maioria esmagadora dos crentes não conseguem perceber na vida dos seus vizinhos tais práticas e tal condição deteriorante na moral. Mas ao olharmos para as palavras do apóstolo Paulo, nos arrepiamos, e de certa forma, nos afligimos por causa dos nossos, que estão sob a ira de Deus. O texto que iremos meditar (Rm 1.18-32), fecha o capítulo primeiro do livro de Romanos. Os dezessete primeiros versículos do capítulo um, são a demonstração da graça de Deus de forma muito plural. Deus, usando Paulo em vários posicionamentos na abertura dessa carta, aponta para o clímax do livro, sendo bem claro que o poder de Deus para a salvação, se revela através do evangelho, sendo instrumentalizada pelo Espírito Santo. Até aqui; graça e justiça para salvação. Destarte, Deus ministrar nos corações o evangelho e produz justificação - mudança de vida! De agora em diante, Paulo relata o ímpio descendo ladeira abaixo rumo ao mais profundo abismo infernal. Como? Trocarem e desprezarem a Deus. Substituindo a verdade de Deus por mentiras humanas. E tal mentira, possuindo em si um peso de âncora, instante a instante, o homem ancorado dirige-se para a profunda morte. Os versos que serão ministrados hoje, são antagônicos aos versos dezesseis e dezessete. Nos dois últimos versos, Paulo, centralizando toda a mensagem de sua carta, diz claramente que Deus fez do evangelho poder para salvação. E, através do Santo Espírito, usa o evangelho para justificar e chamar filhos para vida eterna. Claramente vemos vidas transformadas. Do verso dezoito em diante, Paulo mostra a condição dos homens que vivem separados de Deus. Longe da justificação. Cheios de ódio contra o evangelho. Criadores das suas próprias verdades e independentes do Deus único. Não que tais homens não tenham vida cúltica. Pelo contrário, eles possuem, mas, o alvo de suas adorações são objetos formados por mãos humanas, e adornados pelas mais porcas elucubrações idólatras. Os pontos que iremos meditar hoje são: 1 - Homens que se encontram sob a ira de Deus. Quem são esses homens? Ímpios. Pessoas que escolheram abafar, sufocar, estrangular e reter a verdade de Deus substituindo por suas INjustiças e IMpiedades. Negaram a Deus todo poderoso, mesmo sabendo que tudo que eles olham é obra dEle. 2 - Auto propagadores de suas sabedorias, cegos e abafados, fizeram da idolatria a referência mais excelsa de suas vidas. Podemos dizer que são pessoas (a)religiosas? De forma alguma, são muito religiosas. Contudo, suas religiões são passaportes infernais. 3 - A mistura de desleixo, cegueira, soberba e idolatria, trouxe a eles uma punição indizível: foram entregues, foram abandonados… Deus agora entregou tais homens para que, eles mesmos, numa busca por satisfação na imundície, troquem as relações naturais, ou seja homem e mulher. Agora, soltos e entregues aos seus próprios corações, irão conspurcar homens com homens, e mulheres com mulheres. 4 - Por último, o apóstolo alcança a totalidade dos ímpios; Todos entregues a uma disposição mental suja e cada dia mais inclinada para pensamentos e práticas pecaminosas. Diante de tal realidade humana afastada de Deus, nos compete: 1 - Ficarmos cada dia mais próximos de Deus. Contemplando e conhecendo cada dia mais as verdades celestiais. 2 - Intercedermos pelos ímpios. Nos lembrando de Mt 5.4 “BEM-AVENTURADOS os que choram, porque serão consolados”. Um choro evangelístico. Um choro de compaixão. Um choro de misericórdia.

DISTANTES DE DEUS

O homem vive num constante labirinto competitivo. A luta entre os pares é para chegar ao maior conhecimento reconhecido. Colocar o nome no f...