
Chegamos
ao último capítulo do Sermão do Monte – capítulo sete. Tivemos o privilégio de
contemplarmos através da narrativa de Mateus, os profundos e pitorescos ensinos
de Jesus. O capítulo cinco, desde o seu início, mostra Jesus juntando
discípulos e multidão para o discipulado (Mt 5.1,2). Nesse capítulo, Jesus
solidifica certezas perenes nos corações daqueles que ali estavam, e os ensinos
perpassam até hoje. Duas funções dos ensinos do capítulo cinco são
importantíssimas: 1 – fundamentados na lei e hermenêutica aplicada ao contexto
atual. 2 – Prática diferente. Como assim? O ensino é o mesmo conhecido pelos
religiosos coetâneos. Mas os discípulos de Jesus deveriam praticá-los
diferentes do que estava sendo vivido pelos hipócritas. O capítulo seis é a
práxis dos pilares da fé. Tendo o coração cheio das certezas estabelecidas no
capítulo cinco, os discípulos de Jesus, agora devem continuar praticando aquilo
que a religião ensina e faz, mas, ao discípulo, a tônica que locomove o viver
dos pilares, é o ensino do Mestre. Praticar o esmolar, orar e jejuar de forma
correta é a obrigação dos discípulos. Ainda no capítulo seis, os discípulos
aprenderam que; avareza e ansiedade são práticas pecaminosas, e que eles, por
serem seguidores de Jesus, devem viver uma vida totalmente tangente a essas
práticas. O capítulo sete está envolto em imperativos de Jesus. Eis aí: Mt
7.1-5: A proibição do juízo temerário. Mt 7.6: A proibição ou conselho para os
discípulos não lançarem pérolas aos cães/porcos. Mt 7.7-12: Os discípulos devem
orar. Mt 7.13,14: Os discípulos deve andar pelo caminho correto, mesmo que este
seja difícil e apertado. Mt 7.15-23: Os discípulos devem tomar cuidado com os
falsos profetas. Mt 7.24-27: A certeza dos fundamentos. Em qual local o ouvinte
estabelecerá sua casa, na rocha ou na areia? Mt 7.28,29: O fim do Sermão do
Monte. Os cinco primeiros versos do capítulo sete estão sob o ensino do não
julgar de forma condenatória. O ensino imediato é: “Não julgueis” (V.1). Juntamente com ele, dois outros ensinos nos cercam:
1 - O que Jesus não quer dizer com essa proposição? 2 – Como fazer um juízo
correto? O texto a ser meditado hoje tem como centralidade a proibição do
discípulo ser um julgador temerário. Ou seja, ser alguém que condena pessoas,
situações e coisas com seu coração e verbaliza com a boca. Por que isso é
proibido? Porque aos homens não é dado o poder de jazer juízos dessa
envergadura. Já que a condenação justa só é vinda da parte de Deus. Já do
contrário, nos ensinos secundários, Jesus, de forma alguma está ensinado para
os discípulos não fazerem julgamento algum. O julgar coisas, pessoas e
situações são do cotidiano humano. Mas esse juízo não produz condenação, e sim
condição de vida e até sobrevivência. Com isso, outro ensino secundário fica
patente, devemos julgar tudo ao nosso redor. Um juízo que coloque coisas,
condições e pessoas nos seus devidos lugares (Mt 7.1-5).

Após essa instrução,
nos deparemos com um texto muito duro aqui no capítulo sete: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis
ante os porcos as vossas pérolas...”. Por que é duro? Porque, aqui, o
Mestre está instruindo seus discípulos a não irem com a mensagem da vida eterna
para um tipo de pessoa, a qual, eu vou qualifica-la como: Super perversa! Claro, essa qualificação é uma hipérbole. Todo
aquele que se encontra fora da graça salvífica está em estado de perversão. O
texto aqui aponta para essa proibição, pois esses qualificados como cães e
porcos, são pessoas que estão fora de um contexto de simples recusadores da
Palavra de Deus. Esses são aqueles que além de não ouvirem, e nem aceitarem a
Palavra, irão contra a vida dos mensageiros: “...para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem”(Mt
7.6). Aprendemos hoje, que os discípulos de Jesus, além de não poderem julgar
de forma condenatória, devem fazer um juízo que os proibirão de levar a Palavra
da salvação para algumas pessoas. Destarte, juízo proibido; juízo autorizado.
Que nós, discípulos de Jesus, possamos fazer juízos certos, para que Ele seja
glorificado através das nossas escolhas e vida.