Deus em três pessoas: a Trindade
Como Deus pode ser três pessoas, porém um só
Deus?
B. Três declarações que resumem o ensino
bíblico
Em certo sentido a doutrina da Trindade é um
mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Podemos, todavia,
compreeender parte da sua verdade resumindo o ensinamento das Escrituras em
três declarações:
1. Deus é três pessoas.
2. Cada pessoa é plenamente Deus.
3. Há um só Deus.
1. Deus é três pessoas. O fato de ser Deus três pessoas significa que o Pai não é o Filho, são
pessoas distintas. Significa também que o Pai não é o Espírito Santo, mas são
pessoas distintas. E significa que o Filho não é o Espírito Santo. Essas
distinções mostram em várias das passagens citadas anteriormente, bem como em
muitas outras passagens do Novo Testamento (Jo 1.1-2; Jo 17.24; 1Jo 2.1; Jo
14.26; Rm 8.27).
2. Cada pessoa é plenamente Deus. Deus Pai é claramente Deus. Isso se evidencia desde o primeiro versículo da Bíblia, no qual Deus
cria o céu e a terra. É evidente me todo Antigo e Novo Testamento, nos quais
Deus Pai é retratado nitidamente como Senhor soberanode tudo e onde Jesus ora
ao seu Pai celeste.
O Filho é plenamente Deus. João 1.1-4 afirma
claramente a plena divindade de Cristo. Outras passagens afirmam a plena
divindade de Jesus, como Hebreus 1, onde o autor diz que Cristo é a “expressão
exata” da natureza do ser de Deus – significando que Deus Filho reproduzia o
ser ou a natureza de Deus Pai em todos os aspectos: todos os atributos ou
poderes que Deus Pai tem, Deus Filho também os tem.
O Espirito Santo é também plenamente Deus. Uma vez que entendamos que Deus Pai e Deus Filho são plenamente Deus,
então as expressões trinitárias em versículos como Mateus 28.19 (“Batizando-os
em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo”) se revestem de relevância
para a doutrina do Espirito Santo, pois mostram que o Espirito Santo está
classificado no mesmo nível do Pai e do Filho. E isso se verifica quando
percebemos quão impensável seria que Jesus dissesse algo como “batizando-os em
nome do Pai, do Filho e do arcanjo Miguel”, dando ao ser criado uma posição
totalmente descabida mesmo para um arcanjo.
Até aqui temos duas conclusões, ambas
fartamente ensinadas em toda a bíblia:
1. Deus é três pessoas.
2. Cada pessoa é plenamente Deus.
Se a bíblia ensinasse somente esses dois
fatos, não haveria nenhuma dificuldade lógica em emparelhá-los, pois a solução
óbvia seria que existissem três deuses. O Pai é plenamente Deus, o Filho é
plenamente Deus e o Espirito Santo é também plenamente Deus. Teríamos um
sistema com três seres igualmente divinos. Tal crença se chamaria politeísmo –
ou, mais especificamente, “triteísmo”, ou crença em três deuses. Mas isso passa
bem longe do que ensina a bíblia.
3.
Só há um Deus. As Escrituras deixam bem
claro que só existe um único Deus. As três diferentes pessoas da Trindade são
um não apenas em propósito e em concordância no que pensam, mas um em essência,
um na sua natureza essencial. Em outras palavras, Deus é um só ser. Não existem
três deuses. Só existe um Deus.
Uma das passagens mais conhecidas do Antigo Testamento é Deuteronômio
6.4-5: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o
Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua
força”.
4.
As soluções simplistas necessariamente negam um dos ensinamentos
bíblicos. Agora temos três proposições, todas elas
ensinadas nas Escrituras.
1. Deus é três pessoas.
2. Cada pessoa é plenamente Deus.
3. Só há um Deus.
Ao longo de toda a história da igreja houve tentativas de encontrar uma
solução simples para a doutrina da Trindade pela negação de uma ou outra dessas
proposições. Caso se negue a primeira proposição, então resta-nos simplesmente
o fato de que cada uma das pessoas mencionadas nas Escrituras “Pai, Filho e
Espirito Santo” é Deus, e há um só Deus. Mas se não precisamos dizer que são
pessoas distintas, então há uma solução fácil: não passam de nomes diferentes
para uma pessoa que reage de modos diversos em situações distintas. Ás vezes
essa pessoa se chama Pai, ás vezes se chama Filho e ás vezes se chama Espirito
Santo.
Outra solução simples surge pela negação da segunda proposição, ou seja,
negar que algumas das pessoas mencionadas nas Escrituras são de fato plenamente
Deus. Se simplesmente sustentamos que Deus é três pessoas e que só há um Deus,
então podemos ser tentados a dizer que algumas dessas “pessoas” desse Deus
único não são plenamente Deus, mas apenas partes subordinadas ou criadas de
Deus.
Por fim, como já observamos acima, uma solução simples poderia vir pela
negação da existência de um só Deus. Mas isso resultaria na crença em três
deuses, algo claramente contrário as Escrituras.
Embora, o terceiro erro não seja comum, como ainda veremos, cada um dos
dois primeiros erros já apareceu em um momento ou noutro da história da igreja,
e ainda persiste hoje dentro de alguns grupos.
5.Todas as analogias têm falhas. Se não podemos adotar nenhuma dessas soluções simplistas, então como
juntar as três verdades bíblicas para assim sustentar a doutrina da Trindade?
As pessoas já usaram várias analogias retiradas da natureza ou da experiência
humana para tentar explicar essa doutrina. Embora tais analogias sejam úteis
num nível elementar de compreensão, todas elas se revelam inadequadas ou
ilusórias numa reflexão mais aprofundada.
Então que analogia usaremos para explicar a
Trindade? O mais próximo que chegamos de uma analogia se encontra nos próprios
títulos “Pai” e “Filho”, títulos que nitidamente dizem respeito a pessoas
distintas e a íntima relação que existe entre os dois numa família. Mas no
plano humano, logicamente, temos dois seres totalmente distintos, nem um deles
formados de três pessoas distintas. É melhor concluir que nenhuma analogia
explica adequadamente a Trindade, e que todas são ilusórias em aspectos
importantes.
6.Deus existe eterna e necessariamente como Trindade. Quando o universo foi criado, Deus Pai proferiu as potentes palavras
criadoras que o geraram; Deus Filho foi o agente divino que executou essas
palavras (Jo 1.3; 1Co 8.6; Cl 1.16; Hb 1.2) e o Espirito de Deus “pairava por
sobre as águas” (Gn 1.2). Então é como seria de esperar: se os três membros da
Trindade são iguais e plenamente divinos, então todos eles existiram desde a
eternidade, e Deus sempre existiu eternamente como Trindade (Jo 17.5,24). Além
disso, Deus não pode ser diferente do que é, pois é imutável. Portanto, parece
correto concluir que Deus existe necessariamente como Trindade – não pode ser
diferente do que é.
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