quinta-feira, 27 de julho de 2023

 

Deus em três pessoas: a Trindade

Como Deus pode ser três pessoas, porém um só Deus?

B. Três declarações que resumem o ensino bíblico

Em certo sentido a doutrina da Trindade é um mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Podemos, todavia, compreeender parte da sua verdade resumindo o ensinamento das Escrituras em três declarações:

1. Deus é três pessoas.

2. Cada pessoa é plenamente Deus.

3. Há um só Deus.

 

1. Deus é três pessoas. O fato de ser Deus três pessoas significa que o Pai não é o Filho, são pessoas distintas. Significa também que o Pai não é o Espírito Santo, mas são pessoas distintas. E significa que o Filho não é o Espírito Santo. Essas distinções mostram em várias das passagens citadas anteriormente, bem como em muitas outras passagens do Novo Testamento (Jo 1.1-2; Jo 17.24; 1Jo 2.1; Jo 14.26; Rm 8.27).

2. Cada pessoa é plenamente Deus. Deus Pai é claramente  Deus. Isso se evidencia desde o primeiro versículo da Bíblia, no qual Deus cria o céu e a terra. É evidente me todo Antigo e Novo Testamento, nos quais Deus Pai é retratado nitidamente como Senhor soberanode tudo e onde Jesus ora ao seu Pai celeste.

O Filho é plenamente Deus. João 1.1-4 afirma claramente a plena divindade de Cristo. Outras passagens afirmam a plena divindade de Jesus, como Hebreus 1, onde o autor diz que Cristo é a “expressão exata” da natureza do ser de Deus – significando que Deus Filho reproduzia o ser ou a natureza de Deus Pai em todos os aspectos: todos os atributos ou poderes que Deus Pai tem, Deus Filho também os tem.

O Espirito Santo é também plenamente Deus. Uma vez que entendamos que Deus Pai e Deus Filho são plenamente Deus, então as expressões trinitárias em versículos como Mateus 28.19 (“Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo”) se revestem de relevância para a doutrina do Espirito Santo, pois mostram que o Espirito Santo está classificado no mesmo nível do Pai e do Filho. E isso se verifica quando percebemos quão impensável seria que Jesus dissesse algo como “batizando-os em nome do Pai, do Filho e do arcanjo Miguel”, dando ao ser criado uma posição totalmente descabida mesmo para um arcanjo.

Até aqui temos duas conclusões, ambas fartamente ensinadas em toda a bíblia:

1.     Deus é três pessoas.

2.     Cada pessoa é plenamente Deus.

Se a bíblia ensinasse somente esses dois fatos, não haveria nenhuma dificuldade lógica em emparelhá-los, pois a solução óbvia seria que existissem três deuses. O Pai é plenamente Deus, o Filho é plenamente Deus e o Espirito Santo é também plenamente Deus. Teríamos um sistema com três seres igualmente divinos. Tal crença se chamaria politeísmo – ou, mais especificamente, “triteísmo”, ou crença em três deuses. Mas isso passa bem longe do que ensina a bíblia.

3.     Só há um Deus. As Escrituras deixam bem claro que só existe um único Deus. As três diferentes pessoas da Trindade são um não apenas em propósito e em concordância no que pensam, mas um em essência, um na sua natureza essencial. Em outras palavras, Deus é um só ser. Não existem três deuses. Só existe um Deus.

Uma das passagens mais conhecidas do Antigo Testamento é Deuteronômio 6.4-5: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”.

4.     As soluções simplistas necessariamente negam um dos ensinamentos bíblicos. Agora temos três proposições, todas elas ensinadas nas Escrituras.

1.     Deus é três pessoas.

2.     Cada pessoa é plenamente Deus.

3.     Só há um Deus.

Ao longo de toda a história da igreja houve tentativas de encontrar uma solução simples para a doutrina da Trindade pela negação de uma ou outra dessas proposições. Caso se negue a primeira proposição, então resta-nos simplesmente o fato de que cada uma das pessoas mencionadas nas Escrituras “Pai, Filho e Espirito Santo” é Deus, e há um só Deus. Mas se não precisamos dizer que são pessoas distintas, então há uma solução fácil: não passam de nomes diferentes para uma pessoa que reage de modos diversos em situações distintas. Ás vezes essa pessoa se chama Pai, ás vezes se chama Filho e ás vezes se chama Espirito Santo.

Outra solução simples surge pela negação da segunda proposição, ou seja, negar que algumas das pessoas mencionadas nas Escrituras são de fato plenamente Deus. Se simplesmente sustentamos que Deus é três pessoas e que só há um Deus, então podemos ser tentados a dizer que algumas dessas “pessoas” desse Deus único não são plenamente Deus, mas apenas partes subordinadas ou criadas de Deus.

Por fim, como já observamos acima, uma solução simples poderia vir pela negação da existência de um só Deus. Mas isso resultaria na crença em três deuses, algo claramente contrário as Escrituras.

Embora, o terceiro erro não seja comum, como ainda veremos, cada um dos dois primeiros erros já apareceu em um momento ou noutro da história da igreja, e ainda persiste hoje dentro de alguns grupos.

5.Todas as analogias têm falhas. Se não podemos adotar nenhuma dessas soluções simplistas, então como juntar as três verdades bíblicas para assim sustentar a doutrina da Trindade? As pessoas já usaram várias analogias retiradas da natureza ou da experiência humana para tentar explicar essa doutrina. Embora tais analogias sejam úteis num nível elementar de compreensão, todas elas se revelam inadequadas ou ilusórias numa reflexão mais aprofundada.

Então que analogia usaremos para explicar a Trindade? O mais próximo que chegamos de uma analogia se encontra nos próprios títulos “Pai” e “Filho”, títulos que nitidamente dizem respeito a pessoas distintas e a íntima relação que existe entre os dois numa família. Mas no plano humano, logicamente, temos dois seres totalmente distintos, nem um deles formados de três pessoas distintas. É melhor concluir que nenhuma analogia explica adequadamente a Trindade, e que todas são ilusórias em aspectos importantes.

6.Deus existe eterna e necessariamente como Trindade. Quando o universo foi criado, Deus Pai proferiu as potentes palavras criadoras que o geraram; Deus Filho foi o agente divino que executou essas palavras (Jo 1.3; 1Co 8.6; Cl 1.16; Hb 1.2) e o Espirito de Deus “pairava por sobre as águas” (Gn 1.2). Então é como seria de esperar: se os três membros da Trindade são iguais e plenamente divinos, então todos eles existiram desde a eternidade, e Deus sempre existiu eternamente como Trindade (Jo 17.5,24). Além disso, Deus não pode ser diferente do que é, pois é imutável. Portanto, parece correto concluir que Deus existe necessariamente como Trindade – não pode ser diferente do que é.

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