quinta-feira, 27 de julho de 2023

 

Deus em três pessoas: a Trindade

Como Deus pode ser três pessoas, porém um só Deus?

 

Os capítulos anteriores discutiram muitos atributos de Deus. Mas se compreendêssemos somente estes atributos, de modo nenhum compreenderíamos corretamente a Deus, pois não compreenderíamos que Deus, no seu próprio ser, sempre existiu como mais de uma pessoa. De fato, Deus existe como três pessoas, porém é um só Deus.

É importante lembrar a doutrina da Trindade em relação com o estudo dos atributos de Deus. Quando concebemos a Deus como ser eterno, onipresente, onipotente e assim por diante, talvez tenhamos a tendência, em relação a esses atributos, de concebê-lo apenas como Deus pai. Mas o ensinamento bíblico sobre a Trindade nos diz que todos os atributos de Deus valem para as três pessoas, pois cada uma delas é plenamente Deus. Assim, Deus Filho e Espirito Santo são também eternos, onipresentes, onipotentes, infinitamente sábios, infinitamente santos, infinitamente amorosos, oniscientes e assim por diante.

A doutrina da Trindade é uma das mais importantes da fé cristã. Estudar os ensinamentos bíblicos sobre a trindade lança forte luz sobre a questão que está no âmago da nossa busca de Deus: como é Deus em si mesmo? Aqui aprendemos que, em si mesmo, no seu próprio ser, Deus existe nas pessoas do Pai, do Filho e do Espirito Santo, sendo, porém um só Deus.

 

Explicação e base bíblica

Podemos definir a doutrina da Trindade do seguinte modo: Deus existe eternamente como três pessoas – Pai, Filho e Espirito Santo – e cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus.

 

A.  A doutrina da Trindade revela-se progressivamente nas Escrituras

1.   A revelação parcial no Antigo Testamento. A palavra Trindade não se encontra na bíblia, embora a ideia representada pela palavra seja ensinada em muitos trechos. Trindade significa “tri-unidade” ou “três-em-unidade”. É usada para resumir o ensinamento bíblico de que Deus é três pessoas, porém um só Deus.

 

As vezes se pensa que a doutrina da Trindade se encontra somente no Novo Testamento, e não no Antigo. Se Deus existe eternamente como três pessoas, seria surpreendente não encontrar indicações disso no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não se ache explicitamente no Antigo Testamento, várias passagens dão a entender ou até implicam que Deus existe como mais de uma pessoa.

 

Por exemplo, segundo Gênesis 1.26, Deus disse: “Façamos o homem a nossa imagem conforme a nossa semelhança”. O que significam o verbo “Façamos” e o pronome “nossa”, ambos na primeira pessoa do plural? Alguns já afirmaram tratar-se de plurais majestáticos, forma de falar que um rei usaria ao dizer, por exemplo: “Temos o prazer de atender-lhe o pedido”. Porém, no Antigo Testamento hebraico, não se encontram outros exemplos em que o monarca use verbos no plural ou pronomes plurais para referir-se a si mesmo nessa forma de “plural majestático”; portanto, essa sugestão não tem evidências que a sustente. Outra sugestão é que Deus esteja falando aqui com anjos. Mas os anjos não participaram na criação do homem, nem foi o homem criado a imagem e semelhança de anjos; por isso a sugestão não é convincente. A melhor explicação é que já nos primeiros capítulos de Gênesis temos uma indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus.

 

2.   A revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento. Quando começa o Novo Testamento, entramos na história da vinda do Filho de Deus a terra. Era de esperar que esse grande acontecimento se fizesse acompanhar de ensinamentos mais explícitos sobre a natureza trinitária de Deus, e de fato é isso que encontramos.

Quando do batismo de Jesus, “eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espirito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16-17). Aqui, ao mesmo tempo, temos os três membros da Trindade realizando três ações distintas. Deus Pai fala lá do céu; Deus Filho é batizado e depois ouve a voz de Deus Pai vinda do céu; e o Espirito Santo desce do céu para pousar sobre Jesus e dar-lhe poder para o seu ministério.

 

Ao final do seu ministério terreno, Jesus diz aos discípulos que eles devem ir e fazer “discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo” (Mt 28.19). Os próprios nomes “Pai” e “Filho”, baseados na família, a mais comum das instituições humanas indicam com muita força a distinção das pessoas do pai e do filho. E se o “Espirito Santo” é inserido na mesma frase e no mesmo nível das outras duas pessoas, difícil é evitar a conclusão de que o Espirito Santo é também tido como pessoa e de posição igual ao do Pai e do Filho.

Sem comentários:

Enviar um comentário

DISTANTES DE DEUS

O homem vive num constante labirinto competitivo. A luta entre os pares é para chegar ao maior conhecimento reconhecido. Colocar o nome no f...