segunda-feira, 20 de maio de 2024

 Estamos diante de uma narrativa histórica de Israel. Por causa da quebra da aliança por parte do rei Salomão, a nação está muito próxima de experimentar dias muito difíceis, e digo mais, situações que até agora não mais eram costumeiras para o povo de Deus. Salomão aparece como substituto imediato de seu pai Davi, e reinou sobre Israel durante quarenta anos (I Rs 11.41-43). Davi foi um rei que preservou a aliança com Deus, mas, seus filhos não (II Sm 7.1-17; I Rs 2.1-4; 11.4; 11.9-13). Em nenhum momento da vida de Davi, ele se prostrou diante dos deuses que cercavam Israel, e Deus, em todos os feitos, e, empreitadas do rei, o Senhor o abençoava e o fazia vitorioso. O texto que estamos meditando hoje, mostra-nos um rei que foi galardoado pela paz, riquezas e um reinado próspero. Chegando ao fim do reinado, o autor aponta para os erros e as consequências danosas para todo o Israel. Desobedecendo ao Senhor Deus, Salomão entra em relacionamentos com mulheres estrangeiras. E ainda, Salomão vai atrás dos deuses das inúmeras mulheres que ele havia se casado. Mais ainda, o rei faz de Israel um grande e belo altar para os deuses de suas paixões (I Rs 11.1-8). Dessa forma, Deus entrega Israel, e através da predição de Aías, fala claramente que partirá Israel ao meio, ou seja, aquela nação nunca mais será a mesma. Grande parte da futura Israel será dada a um inimigo do rei Salomão, e as duas tribos; Benjamim e Judá ficarão na mão do tolo filho de Salomão (Roboão). Algo importante deve ser observado aqui; Deus não tirou o reino imediatamente, e ainda reservou uma pequena parte de Israel para a família real, por causa de Davi (I Rs 11.34,36). Salomão morre, e imediatamente seu sucessor assume o reinado (I Rs 12.1). Jeroboão sabendo da morte do rei Salomão, conhecendo as “insatisfações do povo” e conhecendo o filho tolo que havia assumido o reinado, vai ao encontro do rei, e despretensiosamente lhe coloca uma questão: -”Oh, rei Roboão, seu pai nos foi pesado com a cobrança dos impostos, como você fará?” O rei só precisaria ter uma boa e amável resposta, e como disseram os conselheiros do seu pai, “ele ganharia todo o povo” (I Rs 12.1-7). Mas, Roboão, não satisfeito, foi ao encontro de seus coetâneos. Os mesmos o aconselharam desastrosamente, e o horror do conselho se tornou resposta para o povo (I Rs 12.8-14). Isso foi suficiente para ruir o reino e dividir o povo. Aqui, duas verdades são expostas pelo autor do texto: 1 - SOBERANIA DE DEUS. 2 - RESPONSABILIDADE HUMANA.  Deus havia decretado que esses fatos aconteceriam com Roboão, e depois de todo o disparate feito por Roboão, o autor do texto deixa claro que isso vinha do Senhor (I Rs 11.34,35; I Rs 12.15). Roboão, com sua tola infantilidade, responsável pelos seus atos, despreza os conselhos dos conselheiros de seu pai, prefere ouvir os desastrosos conselhos de jovens irresponsáveis, e com toda boçalidade fala duramente ao povo (I Rs 12. 8-14). Por qual motivo esse texto foi escolhido para quebrar a sequência expositiva em Romanos? Por causa de uma perigosa onda que chega  mais uma vez, com muita força nas igrejas evangélicas: O destaque juvenil no ensino, e nas instruções diversas da igreja. Não são poucas as igrejas que, literalmente, crianças estão “expondo” a palavra de Deus no culto de domingo. Ainda, na liberdade do uso das redes sociais, jovens estão doutrinando irmãos de todas as idades e denominações. Crianças e jovens estão sendo alçadas aos cargos de lideranças nas igrejas. Destarte, é impossível não perceber, como em tempos idos, o empobrecimento dos valores e a infantilização de toda uma comunidade cristã. O intuito desta instrução não é obliterar os jovens, mas, de forma macro, produzir um entendimento que tudo tem seu tempo e sua hora. A força dos jovens é admirável (I Jo 2.14; Pv 20.29), mas a tônica do conhecimento, responsabilidade e chamamento para o ensino está na pessoa do mais velho, do presbítero e ancião. Que inclusive, deve, habilidosamente instruir os jovens e discipulá-los; preparando-os para os dias vindouro, onde, provavelmente, serão instrumentos de ensino e exemplo de vida para todos ao seu redor. Em Roboão vimos a juventude buscando na juventude, respostas para a vida de um país. Em Roboão vemos a juventude rejeitando a sabedoria dos mais velhos. Em Roboão, vimos a realidade daquele que precisava de mais amadurecimento.

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