Acredito que essa é uma das afirmações mais poderosas da Bíblia: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Ao deparar-se com essa afirmação, o crente deve andar pululando ininterruptamente. Destarte, nenhuma outra certeza humana é tão vibrante e esperançosa como essa. Um detalhe deve ficar claro aqui, Paulo não está dizendo isso, e, após a sua proposição irá estabelecer fatos e evidências que darão crédito a sua argumentação. Essa verdade está respaldada por uma caminhada doutrinária que teve início desde o capítulo três. Mais exatamente dos versos vinte e um até vinte e três, diz assim: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem, porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. A lógica da não condenação passa pelo critério imediato da justificação. Ou seja, o homem deve ter sido justificado por Deus. Justificação é ato declaratório. Vem de Deus, e não é estimulada por nenhuma característica louvável do homem. Assim entendemos irretorquivelmente que o homem, em nada participa ativamente da justificação. O homem é o beneficiário. Após ser justificado, esse homem é conduzido por caminhos de santificação. Agora sim, nesse processo vemos o homem fazendo - [ sinergismo ]. Agindo por ele mesmo? Não, de forma nenhuma! No processo de santificação, esse homem justificado é conduzido pelo Espírito Santo de Deus dia após dia; momento a momento. Encontramos essa verdade explícita e ensinada por Paulo (Rm 6.1-4): “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De forma nenhuma. Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos. Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte. Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós em novidade de vida”. Agora percebemos o segundo passo: Santificação. A santificação aqui ensinada por Paulo, foca numa forte cena: - O velho homem sendo crucificado com Cristo. Ou seja, aquele que vivia escravizado e acorrentado ao pecado está morto. O que se encontra vivo é a nova criatura. Isso tudo acontece por uma ação soberana de Deus na vida do crente. Onde, aqui, observa-se a ação do homem? No dia a dia. Passo a passo. O velho homem morre, mas não é totalmente destruído ou lançado distante da nova criatura, não! A nova criatura irá conduzir amarrado em si mesmo, o velho homem. Durante sua vida inteira, a nova criatura será seduzida por um morto acorrentado nela. Antes, o homem natural não conseguia conter a pulsão dos desejos pecaminosos. Que certeza existe agora, para dizer que a nova criatura conseguirá? Simples! O Próprio Deus, na pessoa do Espírito Santo fortalecerá, iluminará e conduzirá esse crente para uma difícil, dura, mas confortante caminhada da santificação. Ainda existe algo importante. O crente está justificado, em processo de santificação, e mais, a lei não é mais um peso condenatório sobre ele. O que isso quer dizer? Quer dizer que as condenações escritas na lei de Deus não mais vigoram sobre o crente, pois, pela fé em Jesus, o crente está sob a lei no sentido de instrução, modelação e crescimento. Paulo deixa isso bem claro (Rm 7.4): “Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquem para Deus”. São nessas simples informações, que Paulo é categórico com sua comunidade leitora: Vocês não podem ser condenados por nada, nem por ninguém. O único Justo Juiz já os selou com a marca da salvação. É por este motivo tão claro, tão incontestável, que todo crente pode ter a certeza da vida eterna.
Autor: Thiago Geraldo
Sem comentários:
Enviar um comentário