Havia uma cidade à beira-mar, chamada Igreja, e todos os que nela habitavam eram marinheiros, resgatados das águas revoltas do pecado por um único ato de salvação. Essa salvação era o Farol, erguido por Cristo, o Capitão Soberano.
Naquela cidade, havia dois grupos principais de marinheiros.
O Grupo do Veleiro (Os Fortes)
Eles tinham entendido que, agora em terra firme, a vida não era mais regida pelas leis rígidas do mar (as antigas regras de comida e dias). Eles podiam pescar qualquer peixe, velejar em qualquer dia. Sua convicção era forte: "Somos livres em Cristo!" Eles sabiam que todas as coisas lhes eram lícitas.
Contudo, ao verem os outros, mais cautelosos, eles caçoavam: "Olhem só, estes ainda têm medo do mar! Por que comem apenas a fruta do porto e temem tocar no peixe que o Capitão nos deu?" O desprezo começava a ser nutrido, a "besteirinha de nada" que o seu texto alertou.
O Grupo do Cesto de Frutas (Os Fracos)
Eles haviam acabado de chegar. A memória do naufrágio ainda era viva, e o cheiro de peixe do mar lhes trazia ansiedade. Para eles, comer apenas as frutas plantadas no jardim da Igreja e guardar o Domingo com um rigor absoluto era a única maneira de demonstrar gratidão ao Capitão. Sua convicção era fraca: "Não podemos ofender Aquele que nos salvou!"
Ao verem a liberdade dos outros, eles sussurravam: "Estes são imprudentes, quase hereges! Eles vão tentar o Capitão novamente! Por que não se esforçam para serem mais santos?" O julgamento crescia no coração.
O Imperativo do Capitão
Um dia, o velho Faroleiro, que guardava os mandamentos do Capitão, convocou-os ao Cais.
"Marinheiros!", ele bradou. "Vocês olham para os vossos pratos e calendários, e esquecem-se do Farol! Por que o Capitão os resgatou?"
Os Veleiros responderam: "Pela nossa Liberdade!" Os Cestos de Frutas responderam: "Pela nossa Santidade!"
O Faroleiro suspirou e apontou para o Farol: "O Capitão os resgatou pelo Seu Propósito Soberano! Ele vos escolheu antes que a vossa embarcação fosse sequer construída, cumprindo Sua promessa de que o Cais estaria cheio de gente de toda nação – de fortes e de fracos."
Ele continuou, citando o imperativo do Evangelho:
"Se a vossa força vos faz desprezar o cauteloso, ela vos leva ao pecado, pois não produz Glória ao vosso Salvador!
Se a vossa cautela vos faz julgar o livre, ela vos leva ao pecado, pois usurpa o lugar do Capitão, que é o único Juiz!"
O Acolhimento em Cristo
O Faroleiro, então, pediu que olhassem para o Cais.
"O que o Capitão Jesus fez? Ele, que era o único perfeitamente livre (o 'Forte' por excelência), não viveu para Si mesmo, mas se fez marinheiro, comeu com os impuros e acolheu os doentes. Ele, que podia comer de tudo, jejuou. Ele, que podia descansar sempre, trabalhou até a Cruz. Ele imitou o Pai, não o homem."
"O Acolhimento é o dever de todos, não é opcional," concluiu o Faroleiro, "porque no Cais, judeus e gentios, Veleiros e Cestos de Frutas, são unidos pela mesma Graça Eleita, e são sustentados pelo mesmo Deus Soberano. A união de vocês é o maior farol para o mundo: ela mostra que a força de vocês não é em vocês mesmos, mas n'Aquele que morreu e ressuscitou para ser o Senhor de todos."
Lição Teológica:
Soberania de Deus/Eleição: O Capitão escolheu os marinheiros "antes que a embarcação fosse construída" (referência a Rm 9).
Soli Deo Gloria: A motivação para não pecar é que tudo deve produzir glória ao nome do Senhor, não aos nossos próprios hábitos.
Acolhimento/Imitação de Cristo: A base para o acolhimento é que Cristo, sendo livre, se humilhou (Rm 15.1-3), imitando o Pai.

Sem comentários:
Enviar um comentário